Tratamento da dor

O que é dor neuropática?

Publicado em · Por Dr. Guilherme Veloso Gomes

Resposta direta: Dor neuropática é a dor causada por uma lesão ou doença do sistema nervoso que conduz as sensações. Costuma aparecer como queimação, choque, agulhadas ou dor ao toque leve. Pode surgir por compressão de nervo na coluna, diabetes, herpes-zóster ou cirurgia. O tratamento usa classes específicas de medicamentos e outras medidas, conforme a avaliação.

Nem toda dor é igual. A dor de uma torção ou de um corte vem de um tecido machucado, e os nervos apenas avisam o cérebro do que aconteceu. Na dor neuropática, o problema está no próprio caminho do aviso: o nervo, a raiz nervosa, a medula ou o cérebro.

Por isso ela costuma ter uma sensação diferente, responde de outro jeito aos remédios e pede uma avaliação cuidadosa.

O que é dor neuropática, na definição médica?

A Associação Internacional para o Estudo da Dor (IASP) define dor neuropática como a dor causada por uma lesão ou doença do sistema nervoso somatossensitivo, que é a parte do sistema nervoso responsável por levar as sensações do corpo até o cérebro.

Na CID-11, a dor neuropática crônica é aquela que persiste ou volta por mais de três meses e tem essa origem. Ela é dividida em dois grupos:

  • periférica: quando a lesão está nos nervos fora do cérebro e da medula, como nas raízes da coluna e nos nervos dos braços e das pernas;
  • central: quando a lesão está na medula espinhal ou no cérebro, como depois de um AVC ou de uma lesão medular.

Quais são os sintomas mais comuns?

A dor neuropática costuma ser descrita com palavras parecidas por pessoas diferentes:

  • queimação ou ardência;
  • choques ou pontadas que aparecem de repente;
  • agulhadas e formigamento;
  • dormência junto com dor na mesma área;
  • dor provocada por estímulos leves, como o toque da roupa ou do lençol;
  • piora à noite.

A área da dor costuma seguir o trajeto de um nervo. Uma raiz comprimida na coluna lombar, por exemplo, pode dar dor que desce pela perna até o pé. No caso do braço, veja o que pode causar dor no pescoço que irradia para o braço.

Quais são as causas?

Muitas condições podem lesar os nervos. Entre as mais conhecidas:

Compressão de raiz nervosa na coluna. A hérnia de disco e o estreitamento do canal podem pressionar uma raiz e causar dor que irradia. A dor ciática é o exemplo mais comum.

Diabetes. O excesso de açúcar no sangue por muito tempo pode lesar os nervos, em geral começando pelos pés.

Herpes-zóster. Em algumas pessoas, a dor continua depois que as lesões da pele cicatrizam. É a neuralgia pós-herpética.

Compressão de nervos nos membros. A síndrome do túnel do carpo é a compressão de nervo mais frequente no punho.

Cirurgias e traumas. Um nervo pode ser lesado em uma cirurgia ou acidente e passar a doer.

Lesões do sistema nervoso central. AVC, lesão da medula e esclerose múltipla podem causar dor neuropática central.

Outras causas. Alguns tratamentos contra o câncer, deficiência de vitamina B12, uso excessivo de álcool e doenças da tireoide também podem afetar os nervos.

Se você tem dúvidas sobre dor neuropática, é possível agendar uma avaliação para entender o que se aplica ao seu caso.

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Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico começa pela história. O médico pergunta como é a dor, onde ela aparece, se segue o trajeto de um nervo e se existe uma doença ou lesão que possa explicar o quadro.

No exame neurológico, ele testa a sensibilidade ao toque, à dor, à temperatura e à vibração, além da força e dos reflexos. Uma área com sensibilidade alterada no mesmo território da dor é um dado importante.

Os exames ajudam a confirmar a causa:

  • ressonância magnética da coluna ou do crânio, quando se suspeita de compressão ou lesão central;
  • eletroneuromiografia, que avalia a condução dos nervos periféricos;
  • exames de sangue, para investigar diabetes, deficiência de vitaminas e outras causas.

Um ponto importante: parte das lesões de fibras nervosas finas não aparece na eletroneuromiografia. Um exame normal não descarta a dor neuropática, e a decisão junta todos os dados.

Como é o tratamento?

O tratamento tem dois caminhos que andam juntos: cuidar da causa, quando possível, e aliviar a dor.

Cuidar da causa pode significar controlar o diabetes, tratar uma deficiência de vitamina ou, em casos selecionados, operar uma compressão de nervo. Quando a compressão é resolvida, a dor tende a diminuir, embora a recuperação do nervo possa levar tempo.

Para aliviar a dor, as diretrizes do NICE e do grupo de dor neuropática da IASP (NeuPSIG) indicam como primeira opção algumas classes de medicamentos que agem nos circuitos da dor:

  1. certos antidepressivos, usados aqui pela ação sobre a dor, e não só pelo humor;
  2. certos anticonvulsivantes, como os gabapentinoides;
  3. medicamentos de uso na pele, para dores localizadas;
  4. em situações específicas e por tempo limitado, outras classes, com avaliação cuidadosa de riscos.

Esses remédios exigem prescrição, começam em geral com doses baixas e são ajustados pelo médico. O efeito pode demorar algumas semanas. Não comece, não aumente e não pare nenhum deles por conta própria. Entenda mais em quais remédios são usados no tratamento da dor crônica.

Além dos remédios, fisioterapia, atividade física orientada, cuidado com o sono e apoio psicológico fazem parte do plano. Em casos que não respondem ao tratamento adequado, procedimentos como bloqueios ou a estimulação da medula espinhal podem ser avaliados. A indicação depende da avaliação.

Quando procurar atendimento?

Procure avaliação se a dor em queimação, choque ou formigamento dura mais de algumas semanas, se ela se espalha, se atrapalha o sono ou se você tem diabetes e começou a sentir dor ou dormência nos pés.

Procure pronto-socorro ou ligue 192 se houver:

  • perda de força súbita em braço ou perna;
  • dormência ou fraqueza de um lado do corpo, alteração da fala ou do rosto;
  • perda de controle da urina ou das fezes;
  • dormência na região entre as pernas;
  • dor intensa com febre.

Em Ribeirão Preto, o Dr. Guilherme Veloso Gomes, médico neurocirurgião, avalia dores de origem na coluna e nos nervos na Clínica SENEC. Conheça a página de tratamento da dor.

Se você tem esses sintomas, uma avaliação com neurocirurgião ajuda a entender a causa e as opções de tratamento.

Perguntas frequentes

Dor neuropática aparece em exame?

Às vezes. A ressonância pode mostrar uma raiz nervosa comprimida e a eletroneuromiografia pode mostrar lesão de nervo periférico. Mas parte das lesões de fibras finas não aparece nesses exames, e o diagnóstico depende muito da consulta e do exame neurológico.

Analgésico comum funciona na dor neuropática?

Em geral, os analgésicos comuns e os anti-inflamatórios ajudam pouco nesse tipo de dor. Por isso as diretrizes indicam outras classes de medicamentos, sempre com prescrição e acompanhamento médico.

Formigamento é sempre dor neuropática?

Não. Formigamento pode ter muitas causas, inclusive passageiras, como apoiar o braço por muito tempo. Quando é persistente, piora com o tempo ou vem com perda de força, precisa ser investigado.

Dor neuropática pode melhorar?

Pode. Quando a causa é tratada, como uma compressão de nervo, a dor costuma diminuir com o tempo. Em outros casos, o tratamento busca reduzir a intensidade e melhorar a função, e a resposta varia de pessoa para pessoa.

Fontes consultadas

  • Scholz J et al. The IASP classification of chronic pain for ICD-11: chronic neuropathic pain. Pain, 2019 (PMC) (abrir fonte)
  • Colloca L et al. Neuropathic pain. Nature Reviews Disease Primers, 2017 (PMC) (abrir fonte)
  • NICE CG173. Neuropathic pain in adults: pharmacological management (abrir fonte)
  • Finnerup NB et al. Pharmacotherapy for neuropathic pain in adults. Lancet Neurology, 2015 (PMC) (abrir fonte)

Conteúdo revisado por Dr. Guilherme Veloso Gomes (CRM-SP 287794 · CRM-MG 82200) em 07/10/2026. Texto educativo, que não substitui a consulta médica, não serve para autodiagnóstico e não representa promessa de resultado. Cada caso depende de avaliação clínica, exame físico e, quando indicado, exames complementares. Em caso de sintomas súbitos ou intensos, procure o pronto-socorro ou ligue 192 (SAMU).

Dr. Guilherme Veloso Gomes
Autoria e revisão médica Dr. Guilherme Veloso Gomes

Médico neurocirurgião. CRM-SP 287794 · CRM-MG 82200. Neurocirurgia: RQE-SP 151861, Neurocirurgia: RQE-MG 71371. Neurocirurgião em Ribeirão Preto, com residência em Neurocirurgia nos hospitais Felício Rocho e João XXIII, em Belo Horizonte (MG). Ver perfil completo

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