Tratamento da dor

Como funciona o bloqueio para tratamento da dor?

Publicado em · Por Dr. Guilherme Veloso Gomes

Resposta direta: O bloqueio é a aplicação de anestésico local, às vezes junto com corticoide, perto do nervo ou da articulação suspeitos de causar a dor, em geral guiada por imagem. Ele serve para confirmar de onde vem a dor e, em casos selecionados, para aliviá-la por um período. Não é indicado para toda dor nas costas.

Quem convive com dor na coluna ou em um nervo por muito tempo costuma ouvir falar em bloqueio. A palavra assusta um pouco, mas a ideia é simples: levar um medicamento até perto da estrutura que se suspeita estar causando a dor.

O bloqueio pode ajudar em situações específicas. Ele não é indicado para toda dor, e entender quando faz sentido evita expectativas erradas.

O que é um bloqueio para dor?

Bloqueio é a aplicação de um anestésico local, às vezes junto com um corticoide, perto de um nervo, de uma raiz nervosa ou de uma articulação. Na coluna, ele costuma ser feito com ajuda de radioscopia, tomografia ou ultrassom, para que a agulha chegue ao ponto certo com mais segurança.

O bloqueio pode ter dois objetivos:

  • diagnóstico: se a dor some ou diminui bastante logo depois do anestésico, isso indica que aquela estrutura participa da dor;
  • terapêutico: quando o corticoide ajuda a reduzir a inflamação ao redor do nervo e o alívio dura mais tempo.

Muitas vezes os dois objetivos andam juntos. Um bloqueio diagnóstico com boa resposta, por exemplo, é exigido antes da radiofrequência para dor na coluna.

Quais são os tipos mais comuns?

Alguns bloqueios usados na coluna e nos nervos:

  • peridural (epidural): o medicamento é aplicado no espaço ao redor das raízes nervosas, usado na dor que desce para a perna ou para o braço;
  • foraminal ou de raiz: aplicado perto de uma raiz específica, na saída do nervo da coluna;
  • facetário ou de ramo medial: atinge as pequenas articulações da coluna ou os nervos que as inervam;
  • sacroilíaco: na articulação entre a coluna e a bacia;
  • de nervos periféricos: em nervos fora da coluna, conforme a dor.

A escolha depende de onde a dor parece nascer, do exame físico e dos exames de imagem.

Quando o bloqueio pode ser indicado?

A indicação depende da avaliação e da causa da dor. As diretrizes ajudam a separar as situações.

A diretriz do NICE, do Reino Unido, para dor lombar e ciática recomenda não oferecer injeções na coluna para dor lombar inespecífica, aquela sem uma causa definida. Para a ciática aguda e intensa, ela orienta considerar a peridural com anestésico local e corticoide. Também indica que a radiofrequência só seja feita depois de um bloqueio diagnóstico de ramo medial com resposta positiva.

Na prática, o bloqueio costuma ser considerado quando:

  1. a dor tem uma origem provável e bem localizada pela consulta e pelos exames;
  2. o tratamento conservador, como fisioterapia, exercícios e medicamentos, não trouxe melhora suficiente;
  3. a dor intensa está impedindo a reabilitação, e um período de alívio pode ajudar a voltar aos exercícios;
  4. é preciso confirmar a origem da dor antes de decidir por outro procedimento.

Na hérnia de disco, o tema tem detalhes próprios. Veja se a infiltração na coluna ajuda na hérnia de disco.

Se você tem dúvidas sobre bloqueio para dor, é possível agendar uma avaliação para entender o que se aplica ao seu caso.

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Como é feito o procedimento?

O passo a passo varia conforme o tipo de bloqueio, mas em geral segue esta ordem:

  1. Avaliação prévia: o médico revisa exames, alergias, remédios em uso e doenças como diabetes.
  2. Preparo: a pessoa fica deitada na posição adequada, e a pele é limpa com antisséptico.
  3. Anestesia local: aplicada na pele para reduzir o desconforto da agulha.
  4. Guia por imagem: a agulha é posicionada com ajuda de radioscopia, tomografia ou ultrassom.
  5. Aplicação: o medicamento é injetado no local escolhido.
  6. Observação: a pessoa fica em observação por um tempo antes de ir para casa.

O procedimento é feito em ambiente hospitalar ou ambulatorial preparado e costuma durar pouco tempo.

Quais são os riscos e efeitos colaterais?

Todo procedimento tem riscos, mesmo os menos invasivos. Os mais comuns costumam ser leves:

  • dor ou sensibilidade no local por alguns dias;
  • piora passageira da dor;
  • dormência ou fraqueza temporária pelo anestésico;
  • elevação da glicose em quem tem diabetes, por causa do corticoide;
  • rubor no rosto ou insônia por um ou dois dias.

Complicações menos frequentes incluem dor de cabeça por punção da membrana que envolve a medula, sangramento, infecção e reação alérgica. Complicações neurológicas graves são raras. Por isso o médico pergunta sobre anticoagulantes, alergias e infecções antes de indicar o bloqueio.

O que esperar depois do bloqueio?

A resposta varia. Algumas pessoas sentem alívio importante, outras sentem alívio parcial e algumas não melhoram. O resultado também é informação: ajuda o médico a entender a origem da dor e a decidir o próximo passo.

O bloqueio não substitui o restante do tratamento. O período de alívio costuma ser usado para avançar na fisioterapia e nos exercícios. Repetir bloqueios muitas vezes, sem um plano, não é o caminho recomendado. Para entender o contexto maior, veja o que é dor crônica e por que ela não passa.

Quando procurar atendimento?

Vale procurar avaliação se a dor na coluna ou no nervo dura semanas, desce para braço ou perna, atrapalha o sono ou não melhora com o tratamento inicial.

Depois de um bloqueio, procure atendimento logo se houver febre, vermelhidão ou secreção no local, dor de cabeça forte que piora ao ficar em pé, ou fraqueza que não passa depois de algumas horas.

Procure pronto-socorro ou ligue 192 se surgir perda de força súbita nas pernas, dormência na região entre as pernas ou perda de controle da urina ou das fezes.

Em Ribeirão Preto, o Dr. Guilherme Veloso Gomes, médico neurocirurgião, atende na Clínica SENEC e realiza procedimentos, quando indicados, no Hospital São Francisco e na Nova Bene. Conheça a página de tratamento da dor.

Se você tem esses sintomas, uma avaliação com neurocirurgião ajuda a entender a causa e as opções de tratamento.

Perguntas frequentes

O bloqueio dói?

Costuma ser feito com anestesia local na pele, e muitas pessoas sentem apenas pressão ou um desconforto rápido. Em alguns casos é usada sedação leve. A dor pode aumentar por um ou dois dias depois do procedimento.

Quanto tempo dura o efeito do bloqueio?

Depende do tipo de bloqueio e da causa da dor. O anestésico age por horas, e o corticoide, quando usado, pode prolongar o alívio por semanas ou meses em parte das pessoas. Algumas não têm melhora relevante.

Posso dirigir depois do bloqueio?

Em geral, a orientação é ir com acompanhante e não dirigir no mesmo dia, principalmente se houve sedação ou se a perna ficou dormente. As orientações exatas são dadas pela equipe no dia.

Quem toma anticoagulante pode fazer bloqueio?

Precisa avisar o médico com antecedência. Alguns bloqueios exigem suspender o anticoagulante por um período, e essa decisão é feita junto com o médico que prescreveu o remédio. Nunca suspenda por conta própria.

Fontes consultadas

  • StatPearls. Lumbar Epidural Steroid Injection (NCBI Bookshelf) (abrir fonte)
  • StatPearls. Facet Joint Injection (NCBI Bookshelf) (abrir fonte)
  • NICE NG59. Low back pain and sciatica in over 16s: assessment and management (abrir fonte)

Conteúdo revisado por Dr. Guilherme Veloso Gomes (CRM-SP 287794 · CRM-MG 82200) em 07/10/2026. Texto educativo, que não substitui a consulta médica, não serve para autodiagnóstico e não representa promessa de resultado. Cada caso depende de avaliação clínica, exame físico e, quando indicado, exames complementares. Em caso de sintomas súbitos ou intensos, procure o pronto-socorro ou ligue 192 (SAMU).

Dr. Guilherme Veloso Gomes
Autoria e revisão médica Dr. Guilherme Veloso Gomes

Médico neurocirurgião. CRM-SP 287794 · CRM-MG 82200. Neurocirurgia: RQE-SP 151861, Neurocirurgia: RQE-MG 71371. Neurocirurgião em Ribeirão Preto, com residência em Neurocirurgia nos hospitais Felício Rocho e João XXIII, em Belo Horizonte (MG). Ver perfil completo

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