Resposta direta: A radiofrequência usa uma agulha especial, guiada por imagem, para aquecer e interromper temporariamente pequenos nervos que levam a dor de articulações da coluna. É considerada em dor lombar ou cervical crônica de origem facetária, depois de um bloqueio diagnóstico com boa resposta. O efeito costuma durar meses, mas não é permanente.
A coluna tem, de cada lado, pequenas articulações que ligam uma vértebra à outra. Elas se chamam facetas e podem se desgastar com o tempo, como qualquer articulação. Quando isso acontece, podem causar dor nas costas ou no pescoço que dura meses.
A radiofrequência é uma das opções para essa dor em casos selecionados. Entender como ela funciona, e para quem não serve, ajuda a decidir com mais segurança.
O que é a radiofrequência na coluna?
As articulações facetárias recebem pequenos nervos chamados ramos mediais. Eles levam o sinal de dor dessas articulações até a medula e o cérebro.
Na radiofrequência, o médico posiciona uma agulha especial bem ao lado desses ramos, guiado por imagem. A ponta da agulha gera calor por ondas de radiofrequência e interrompe a condução do nervo naquele ponto. Com isso, o sinal de dor da articulação deixa de chegar com a mesma intensidade.
Também existe a radiofrequência pulsada, que usa pulsos sem chegar à mesma temperatura e é estudada em dores de raiz nervosa e outras situações. As evidências para ela são menos consistentes, e a indicação depende da avaliação.
Para quem a radiofrequência pode ser indicada?
A diretriz do NICE, do Reino Unido, para dor lombar orienta considerar a radiofrequência quando:
- a dor lombar é crônica e o tratamento sem procedimento não funcionou;
- a principal origem da dor parece estar nas estruturas inervadas pelo ramo medial, como as facetas;
- a dor é localizada nas costas e tem intensidade moderada a forte;
- houve resposta positiva a um bloqueio diagnóstico de ramo medial.
Ou seja, a radiofrequência não é a primeira opção, e não serve para toda dor nas costas. Ela costuma ser considerada depois de exercícios, fisioterapia e medicamentos prescritos. A mesma lógica vale para a dor cervical de origem facetária, conforme a avaliação.
A dor facetária costuma ser mais localizada nas costas, pode piorar ao estender ou girar a coluna e, em geral, não desce até o pé. Esse padrão é diferente da dor ciática da hérnia de disco. O desgaste das facetas faz parte da artrose na coluna.
Por que fazer um bloqueio antes?
Não existe um exame de imagem que prove, sozinho, que a dor vem das facetas. Muitas pessoas têm desgaste nessas articulações na ressonância e não sentem dor.
Por isso é feito antes um bloqueio diagnóstico: um anestésico é aplicado perto dos ramos mediais. Se a dor diminui de forma clara nas horas seguintes, isso indica que as facetas participam da dor, e a radiofrequência passa a ser uma opção. Se a dor não muda, a radiofrequência provavelmente não vai ajudar, e o médico procura outra explicação.
Se você tem dúvidas sobre radiofrequência na coluna, é possível agendar uma avaliação para entender o que se aplica ao seu caso.
Agendar pelo WhatsAppComo é feito o procedimento?
O passo a passo costuma seguir esta ordem:
- A pessoa fica deitada, em geral de barriga para baixo para a coluna lombar.
- A pele é limpa e recebe anestesia local. Às vezes é usada sedação leve.
- Com radioscopia, o médico posiciona a agulha ao lado de cada ramo medial escolhido.
- Pequenos estímulos elétricos ajudam a confirmar a posição, longe das raízes que dão força às pernas.
- Com a posição confirmada, a área recebe anestésico e a radiofrequência é aplicada por alguns minutos em cada ponto.
- A pessoa fica em observação e, em geral, volta para casa no mesmo dia.
Quanto tempo dura o efeito e quais são os riscos?
O alívio não costuma ser imediato. Nas primeiras semanas pode haver dor no local, e a melhora tende a aparecer depois desse período.
O efeito não é permanente, porque o nervo pode se regenerar. Em parte das pessoas, o alívio dura meses. Outras têm alívio parcial ou não melhoram. Quando a dor volta depois de um bom período, o procedimento pode ser repetido em alguns casos.
Os riscos mais comuns são dor e sensibilidade no local, sensação de queimação ou dormência na pele da região por algumas semanas e piora passageira da dor. Complicações menos frequentes incluem infecção, sangramento e lesão de nervo próximo. Pessoas com marca-passo, anticoagulantes ou infecção ativa precisam de avaliação especial antes.
O plano de tratamento continua depois do procedimento: exercícios e fisioterapia ajudam a manter a melhora. Veja também como é o tratamento da lombalgia crônica.
Como se preparar e como são os primeiros dias?
Antes do procedimento, o médico revisa os exames, as alergias e todos os remédios em uso. Anticoagulantes e antiagregantes podem precisar de ajuste, sempre decidido junto com o médico que os prescreveu. Quem tem diabetes, marca-passo ou outro dispositivo implantado deve avisar com antecedência.
No dia, a orientação costuma ser ir com acompanhante, porque não é recomendado dirigir logo depois, principalmente se houve sedação. Nos primeiros dias, é comum sentir dor no local das agulhas, que em geral melhora com compressas frias e com os cuidados orientados pela equipe.
A volta às atividades leves costuma ser rápida, mas o retorno a esforços maiores e a progressão dos exercícios são combinados nos retornos. Anotar a dor nas semanas seguintes ajuda o médico a avaliar o resultado com mais precisão.
Quando procurar atendimento?
Procure avaliação se a dor nas costas ou no pescoço dura mais de três meses, se ela não melhorou com fisioterapia e exercícios, ou se atrapalha o trabalho e o sono.
Depois da radiofrequência, procure atendimento logo se houver febre, vermelhidão ou secreção no local, ou fraqueza na perna que não passa.
Procure pronto-socorro ou ligue 192 se houver perda de força súbita nas pernas, dormência na região entre as pernas ou perda de controle da urina ou das fezes.
Em Ribeirão Preto, o Dr. Guilherme Veloso Gomes, médico neurocirurgião, atende na Clínica SENEC e avalia dores de origem na coluna e nos nervos. Conheça a página de tratamento da dor.
Se você tem esses sintomas, uma avaliação com neurocirurgião ajuda a entender a causa e as opções de tratamento.
Perguntas frequentes
Radiofrequência é uma cirurgia?
Não no sentido de abrir a coluna. É um procedimento por agulha, feito com anestesia local e às vezes sedação leve, guiado por imagem. Mesmo assim, é um procedimento com riscos e precisa de indicação.
A radiofrequência serve para hérnia de disco?
A forma mais estudada, a radiofrequência do ramo medial, é usada na dor das articulações facetárias, não na dor ciática da hérnia de disco. Existem outras formas de radiofrequência para dor de raiz nervosa, mas as evidências são menos consistentes e a indicação depende da avaliação.
Posso repetir a radiofrequência?
Quando a dor volta depois de um período de bom alívio, o procedimento pode ser repetido em alguns casos. A decisão leva em conta quanto tempo durou o alívio e se o quadro continua o mesmo.
Depois da radiofrequência posso parar a fisioterapia?
Não é o recomendado. O período de menos dor costuma ser aproveitado para fortalecer a musculatura e melhorar o condicionamento, o que ajuda a manter o resultado.
Fontes consultadas
- NICE NG59. Low back pain and sciatica in over 16s: assessment and management (abrir fonte)
- StatPearls. Radiofrequency Ablation (NCBI Bookshelf) (abrir fonte)
- StatPearls. Facet Joint Disease (NCBI Bookshelf) (abrir fonte)
Conteúdo revisado por Dr. Guilherme Veloso Gomes (CRM-SP 287794 · CRM-MG 82200) em 07/10/2026. Texto educativo, que não substitui a consulta médica, não serve para autodiagnóstico e não representa promessa de resultado. Cada caso depende de avaliação clínica, exame físico e, quando indicado, exames complementares. Em caso de sintomas súbitos ou intensos, procure o pronto-socorro ou ligue 192 (SAMU).