Tratamento da dor

Quais remédios são usados no tratamento da dor crônica?

Publicado em · Por Dr. Guilherme Veloso Gomes

Resposta direta: Na dor crônica são usadas várias classes de remédios, escolhidas conforme o tipo de dor: analgésicos, anti-inflamatórios, certos antidepressivos e anticonvulsivantes que agem nos circuitos da dor, medicamentos de uso na pele e, em casos selecionados, opioides. Todos exigem prescrição e acompanhamento médico, e funcionam melhor junto com exercício e outras medidas.

Quem convive com dor por meses costuma já ter tentado vários remédios. Às vezes um ajuda no começo e depois deixa de funcionar. Às vezes o efeito colateral incomoda mais que a dor. E muitas vezes a pessoa acaba tomando analgésico todo dia, sem saber se isso é seguro.

Este texto explica, de forma geral, quais classes de remédios são usadas na dor crônica e por que a escolha muda de pessoa para pessoa. Ele não substitui a consulta e não indica nenhum remédio ou dose. Medicamento para dor só deve ser usado com prescrição e acompanhamento médico.

Por que não existe um remédio único para dor crônica?

Porque a dor crônica não é uma coisa só. A classificação da IASP usada na CID-11 separa a dor crônica primária, em que a dor é o problema principal, da dor crônica secundária, que vem de outra condição. Dentro desses grupos, a dor pode ser de origem muscular e articular, de origem nos nervos ou uma mistura das duas.

Cada tipo responde melhor a classes diferentes. A dor neuropática, por exemplo, em geral responde pouco a analgésicos comuns e melhor a remédios que agem nos circuitos do sistema nervoso. Por isso a primeira etapa do tratamento é entender a origem da dor. Veja o que é dor crônica e por que ela não passa.

Quais classes de remédios são usadas?

As principais classes, de forma geral:

  • analgésicos simples: usados em dores leves a moderadas, principalmente em crises;
  • anti-inflamatórios: podem ajudar em dores com componente inflamatório, mas o uso prolongado tem riscos para estômago, rins, coração e pressão;
  • certos antidepressivos: algumas classes agem nas vias que controlam a dor e são usadas na dor neuropática e em algumas dores crônicas primárias;
  • certos anticonvulsivantes: como os gabapentinoides, usados principalmente na dor neuropática;
  • relaxantes musculares: às vezes usados por curto período em crises de dor muscular;
  • medicamentos de uso na pele: cremes, géis ou adesivos para dores localizadas, principalmente de origem nos nervos;
  • opioides: reservados a situações específicas, por tempo limitado e com avaliação cuidadosa, por causa dos riscos;
  • corticoides: usados em situações pontuais, por via oral ou em procedimentos, não como tratamento contínuo da dor crônica.

O médico escolhe a classe, a dose e o tempo de uso conforme o tipo de dor, a idade, outras doenças e os remédios que a pessoa já toma.

O que dizem as diretrizes?

Na dor neuropática, a revisão do grupo de dor neuropática da IASP (NeuPSIG), publicada em 2015, e a diretriz do NICE indicam como primeira opção certos antidepressivos e certos anticonvulsivantes. Medicamentos de uso na pele são opção para dores localizadas. Opioides ficam como alternativa posterior, em casos selecionados.

Na dor crônica primária, a diretriz do NICE de 2021 orienta que antidepressivos podem ser considerados, depois de conversar sobre benefícios e riscos. A mesma diretriz recomenda não iniciar várias outras classes para esse tipo de dor, como opioides, anti-inflamatórios, gabapentinoides e calmantes, por falta de benefício comprovado ou por risco maior que o benefício.

Ou seja, mais remédio não quer dizer mais alívio. Em muitos casos, a medida com mais respaldo é a atividade física orientada, junto com abordagem psicológica e cuidado com o sono.

Se você tem dúvidas sobre remédios para dor crônica, é possível agendar uma avaliação para entender o que se aplica ao seu caso.

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Quais cuidados os remédios para dor exigem?

Todo remédio tem riscos, e alguns cuidados valem para todos:

  1. Use só com prescrição. Não comece, não aumente e não pare um remédio por conta própria.
  2. Conte ao médico tudo o que você toma. Inclusive chás, suplementos e remédios para dormir, porque há interações perigosas.
  3. Atenção à combinação com álcool e calmantes. Opioides, gabapentinoides e calmantes juntos aumentam o risco de sonolência excessiva e de depressão da respiração.
  4. Observe efeitos colaterais. Sonolência, tontura, intestino preso, náusea e alteração do humor devem ser relatados nos retornos.
  5. Cuidado ao dirigir. Alguns remédios reduzem a atenção, principalmente no início do tratamento.
  6. Não pare de repente. Algumas classes exigem redução gradual para evitar sintomas de retirada.
  7. Evite analgésico todo dia por conta própria. Além dos riscos para o corpo, o uso frequente pode piorar algumas dores de cabeça. Veja se tomar remédio para dor de cabeça todo dia pode piorar a dor.

Os remédios funcionam sozinhos?

Na dor crônica, raramente. Os remédios costumam reduzir a intensidade da dor para que a pessoa consiga fazer o que de fato ajuda a longo prazo: movimentar-se, fortalecer a musculatura, dormir melhor e retomar atividades.

Por isso o plano costuma incluir fisioterapia, exercícios, cuidado com o sono e, quando indicado, apoio psicológico. Em casos selecionados, procedimentos como bloqueios também podem fazer parte. O sono, aliás, tem papel importante: veja como a dor crônica afeta o sono.

Quando procurar atendimento?

Procure avaliação se você toma remédio para dor quase todos os dias, se os remédios não estão ajudando, se os efeitos colaterais atrapalham a rotina ou se a dor dura mais de três meses.

Procure pronto-socorro ou ligue 192 se houver:

  • sonolência intensa, confusão ou respiração lenta depois de tomar remédio para dor;
  • reação alérgica, com inchaço no rosto, falta de ar ou manchas na pele;
  • vômito com sangue ou fezes escuras;
  • dor com perda de força súbita, perda de controle da urina ou das fezes ou febre alta.

Em Ribeirão Preto, o Dr. Guilherme Veloso Gomes, médico neurocirurgião, atende na Clínica SENEC e avalia dores de origem na coluna e nos nervos, com abordagem multidisciplinar. Conheça a página de tratamento da dor.

Se você tem esses sintomas, uma avaliação com neurocirurgião ajuda a entender a causa e as opções de tratamento.

Perguntas frequentes

Por que o médico receitou antidepressivo se eu não estou deprimido?

Algumas classes de antidepressivos agem nas vias do sistema nervoso que controlam a dor, independentemente do humor. A diretriz do NICE explica que eles podem ajudar na dor, no sono e no sofrimento causado pela dor, mesmo sem diagnóstico de depressão.

Posso tomar anti-inflamatório todo dia para dor?

Não por conta própria. O uso prolongado de anti-inflamatórios pode causar problemas no estômago, nos rins e na pressão arterial. Se você precisa de remédio para dor quase todos os dias, é sinal de que a causa precisa ser avaliada.

Quanto tempo o remédio demora para fazer efeito?

Depende da classe. Analgésicos agem em horas, enquanto antidepressivos e anticonvulsivantes usados para dor podem levar semanas para mostrar o efeito, porque a dose é aumentada aos poucos. O médico avalia a resposta nos retornos.

Posso parar o remédio quando a dor melhorar?

Converse antes com o médico. Algumas classes não devem ser interrompidas de repente, porque podem causar sintomas de retirada. A redução costuma ser gradual e orientada.

Fontes consultadas

  • NICE NG193. Chronic pain (primary and secondary) in over 16s (abrir fonte)
  • NICE CG173. Neuropathic pain in adults: pharmacological management (abrir fonte)
  • Finnerup NB et al. Pharmacotherapy for neuropathic pain in adults. Lancet Neurology, 2015 (PMC) (abrir fonte)
  • MedlinePlus. Pain Relievers (abrir fonte)

Conteúdo revisado por Dr. Guilherme Veloso Gomes (CRM-SP 287794 · CRM-MG 82200) em 07/10/2026. Texto educativo, que não substitui a consulta médica, não serve para autodiagnóstico e não representa promessa de resultado. Cada caso depende de avaliação clínica, exame físico e, quando indicado, exames complementares. Em caso de sintomas súbitos ou intensos, procure o pronto-socorro ou ligue 192 (SAMU).

Dr. Guilherme Veloso Gomes
Autoria e revisão médica Dr. Guilherme Veloso Gomes

Médico neurocirurgião. CRM-SP 287794 · CRM-MG 82200. Neurocirurgia: RQE-SP 151861, Neurocirurgia: RQE-MG 71371. Neurocirurgião em Ribeirão Preto, com residência em Neurocirurgia nos hospitais Felício Rocho e João XXIII, em Belo Horizonte (MG). Ver perfil completo

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