Resposta direta: Na dor crônica são usadas várias classes de remédios, escolhidas conforme o tipo de dor: analgésicos, anti-inflamatórios, certos antidepressivos e anticonvulsivantes que agem nos circuitos da dor, medicamentos de uso na pele e, em casos selecionados, opioides. Todos exigem prescrição e acompanhamento médico, e funcionam melhor junto com exercício e outras medidas.
Quem convive com dor por meses costuma já ter tentado vários remédios. Às vezes um ajuda no começo e depois deixa de funcionar. Às vezes o efeito colateral incomoda mais que a dor. E muitas vezes a pessoa acaba tomando analgésico todo dia, sem saber se isso é seguro.
Este texto explica, de forma geral, quais classes de remédios são usadas na dor crônica e por que a escolha muda de pessoa para pessoa. Ele não substitui a consulta e não indica nenhum remédio ou dose. Medicamento para dor só deve ser usado com prescrição e acompanhamento médico.
Por que não existe um remédio único para dor crônica?
Porque a dor crônica não é uma coisa só. A classificação da IASP usada na CID-11 separa a dor crônica primária, em que a dor é o problema principal, da dor crônica secundária, que vem de outra condição. Dentro desses grupos, a dor pode ser de origem muscular e articular, de origem nos nervos ou uma mistura das duas.
Cada tipo responde melhor a classes diferentes. A dor neuropática, por exemplo, em geral responde pouco a analgésicos comuns e melhor a remédios que agem nos circuitos do sistema nervoso. Por isso a primeira etapa do tratamento é entender a origem da dor. Veja o que é dor crônica e por que ela não passa.
Quais classes de remédios são usadas?
As principais classes, de forma geral:
- analgésicos simples: usados em dores leves a moderadas, principalmente em crises;
- anti-inflamatórios: podem ajudar em dores com componente inflamatório, mas o uso prolongado tem riscos para estômago, rins, coração e pressão;
- certos antidepressivos: algumas classes agem nas vias que controlam a dor e são usadas na dor neuropática e em algumas dores crônicas primárias;
- certos anticonvulsivantes: como os gabapentinoides, usados principalmente na dor neuropática;
- relaxantes musculares: às vezes usados por curto período em crises de dor muscular;
- medicamentos de uso na pele: cremes, géis ou adesivos para dores localizadas, principalmente de origem nos nervos;
- opioides: reservados a situações específicas, por tempo limitado e com avaliação cuidadosa, por causa dos riscos;
- corticoides: usados em situações pontuais, por via oral ou em procedimentos, não como tratamento contínuo da dor crônica.
O médico escolhe a classe, a dose e o tempo de uso conforme o tipo de dor, a idade, outras doenças e os remédios que a pessoa já toma.
O que dizem as diretrizes?
Na dor neuropática, a revisão do grupo de dor neuropática da IASP (NeuPSIG), publicada em 2015, e a diretriz do NICE indicam como primeira opção certos antidepressivos e certos anticonvulsivantes. Medicamentos de uso na pele são opção para dores localizadas. Opioides ficam como alternativa posterior, em casos selecionados.
Na dor crônica primária, a diretriz do NICE de 2021 orienta que antidepressivos podem ser considerados, depois de conversar sobre benefícios e riscos. A mesma diretriz recomenda não iniciar várias outras classes para esse tipo de dor, como opioides, anti-inflamatórios, gabapentinoides e calmantes, por falta de benefício comprovado ou por risco maior que o benefício.
Ou seja, mais remédio não quer dizer mais alívio. Em muitos casos, a medida com mais respaldo é a atividade física orientada, junto com abordagem psicológica e cuidado com o sono.
Se você tem dúvidas sobre remédios para dor crônica, é possível agendar uma avaliação para entender o que se aplica ao seu caso.
Agendar pelo WhatsAppQuais cuidados os remédios para dor exigem?
Todo remédio tem riscos, e alguns cuidados valem para todos:
- Use só com prescrição. Não comece, não aumente e não pare um remédio por conta própria.
- Conte ao médico tudo o que você toma. Inclusive chás, suplementos e remédios para dormir, porque há interações perigosas.
- Atenção à combinação com álcool e calmantes. Opioides, gabapentinoides e calmantes juntos aumentam o risco de sonolência excessiva e de depressão da respiração.
- Observe efeitos colaterais. Sonolência, tontura, intestino preso, náusea e alteração do humor devem ser relatados nos retornos.
- Cuidado ao dirigir. Alguns remédios reduzem a atenção, principalmente no início do tratamento.
- Não pare de repente. Algumas classes exigem redução gradual para evitar sintomas de retirada.
- Evite analgésico todo dia por conta própria. Além dos riscos para o corpo, o uso frequente pode piorar algumas dores de cabeça. Veja se tomar remédio para dor de cabeça todo dia pode piorar a dor.
Os remédios funcionam sozinhos?
Na dor crônica, raramente. Os remédios costumam reduzir a intensidade da dor para que a pessoa consiga fazer o que de fato ajuda a longo prazo: movimentar-se, fortalecer a musculatura, dormir melhor e retomar atividades.
Por isso o plano costuma incluir fisioterapia, exercícios, cuidado com o sono e, quando indicado, apoio psicológico. Em casos selecionados, procedimentos como bloqueios também podem fazer parte. O sono, aliás, tem papel importante: veja como a dor crônica afeta o sono.
Quando procurar atendimento?
Procure avaliação se você toma remédio para dor quase todos os dias, se os remédios não estão ajudando, se os efeitos colaterais atrapalham a rotina ou se a dor dura mais de três meses.
Procure pronto-socorro ou ligue 192 se houver:
- sonolência intensa, confusão ou respiração lenta depois de tomar remédio para dor;
- reação alérgica, com inchaço no rosto, falta de ar ou manchas na pele;
- vômito com sangue ou fezes escuras;
- dor com perda de força súbita, perda de controle da urina ou das fezes ou febre alta.
Em Ribeirão Preto, o Dr. Guilherme Veloso Gomes, médico neurocirurgião, atende na Clínica SENEC e avalia dores de origem na coluna e nos nervos, com abordagem multidisciplinar. Conheça a página de tratamento da dor.
Se você tem esses sintomas, uma avaliação com neurocirurgião ajuda a entender a causa e as opções de tratamento.
Perguntas frequentes
Por que o médico receitou antidepressivo se eu não estou deprimido?
Algumas classes de antidepressivos agem nas vias do sistema nervoso que controlam a dor, independentemente do humor. A diretriz do NICE explica que eles podem ajudar na dor, no sono e no sofrimento causado pela dor, mesmo sem diagnóstico de depressão.
Posso tomar anti-inflamatório todo dia para dor?
Não por conta própria. O uso prolongado de anti-inflamatórios pode causar problemas no estômago, nos rins e na pressão arterial. Se você precisa de remédio para dor quase todos os dias, é sinal de que a causa precisa ser avaliada.
Quanto tempo o remédio demora para fazer efeito?
Depende da classe. Analgésicos agem em horas, enquanto antidepressivos e anticonvulsivantes usados para dor podem levar semanas para mostrar o efeito, porque a dose é aumentada aos poucos. O médico avalia a resposta nos retornos.
Posso parar o remédio quando a dor melhorar?
Converse antes com o médico. Algumas classes não devem ser interrompidas de repente, porque podem causar sintomas de retirada. A redução costuma ser gradual e orientada.
Fontes consultadas
- NICE NG193. Chronic pain (primary and secondary) in over 16s (abrir fonte)
- NICE CG173. Neuropathic pain in adults: pharmacological management (abrir fonte)
- Finnerup NB et al. Pharmacotherapy for neuropathic pain in adults. Lancet Neurology, 2015 (PMC) (abrir fonte)
- MedlinePlus. Pain Relievers (abrir fonte)
Conteúdo revisado por Dr. Guilherme Veloso Gomes (CRM-SP 287794 · CRM-MG 82200) em 07/10/2026. Texto educativo, que não substitui a consulta médica, não serve para autodiagnóstico e não representa promessa de resultado. Cada caso depende de avaliação clínica, exame físico e, quando indicado, exames complementares. Em caso de sintomas súbitos ou intensos, procure o pronto-socorro ou ligue 192 (SAMU).