Resposta direta: Meningioma é um tumor que nasce nas meninges, as membranas que envolvem o cérebro e a medula. A maioria é de grau 1 na classificação da OMS e cresce devagar. Nem todo meningioma precisa de cirurgia: os pequenos e sem sintomas costumam ser acompanhados com ressonância. A cirurgia é considerada quando há sintomas ou crescimento.
Muita gente descobre um meningioma por acaso, ao fazer uma ressonância por outro motivo, como tontura, enxaqueca ou uma batida na cabeça. A palavra tumor no laudo assusta, mas o meningioma costuma ter um comportamento bem diferente do que a maioria das pessoas imagina.
Neste artigo, você vai entender o que é o meningioma, como ele é classificado e por que nem sempre a cirurgia é o primeiro passo.
O que é o meningioma?
O cérebro e a medula espinhal são envolvidos por três membranas, chamadas meninges. O meningioma nasce de células dessas membranas. Por isso, ele cresce encostado no cérebro ou na medula, mas, na maioria das vezes, sem invadir o tecido nervoso.
Segundo a diretriz da Associação Europeia de Neuro-Oncologia (EANO), o meningioma é o tumor mais comum dentro do crânio. Ele é mais frequente em adultos e, nos de grau 1, mais comum em mulheres. A exposição prévia à radiação na cabeça e a neurofibromatose tipo 2, uma doença genética rara, aumentam o risco. Na maioria das pessoas, porém, não há uma causa identificável.
Com o uso cada vez maior da ressonância, ficou comum encontrar meningiomas sem sintomas. A diretriz europeia cita que eles aparecem em cerca de 1% das ressonâncias de crânio feitas na população geral.
Como a OMS classifica o meningioma?
A classificação de tumores do sistema nervoso central da Organização Mundial da Saúde, de 2021, trata o meningioma como um único tipo, com 15 subtipos e três graus:
- Grau 1: é o mais comum. Cresce devagar e, quando retirado por completo, tem baixa chance de voltar.
- Grau 2 (atípico): tem maior chance de voltar depois da cirurgia e exige acompanhamento mais próximo.
- Grau 3 (anaplásico): é raro, cresce mais rápido e costuma precisar de cirurgia seguida de radioterapia.
O grau é definido pelo patologista ao analisar o tumor no microscópio, com apoio de alguns marcadores moleculares. A imagem da ressonância sugere o diagnóstico, mas não define o grau com certeza.
Quais sintomas o meningioma pode causar?
Como cresce devagar, o meningioma pode passar anos sem sintomas. Quando eles aparecem, dependem do local:
- dor de cabeça progressiva;
- convulsões;
- fraqueza ou formigamento em um lado do corpo;
- alterações da visão, especialmente nos tumores perto do nervo óptico;
- mudanças de comportamento, de memória ou de atenção;
- perda de audição ou do olfato, conforme a região.
Os meningiomas da base do crânio têm particularidades próprias, tratadas no artigo opções de tratamento do meningioma de base de crânio. Há também meningiomas na coluna, que podem comprimir a medula e causar os sinais descritos em sintomas de tumor na coluna.
Se você tem dúvidas sobre meningioma, é possível agendar uma avaliação para entender o que se aplica ao seu caso.
Agendar pelo WhatsAppO meningioma sempre precisa de cirurgia?
Não. A diretriz europeia recomenda a observação como primeira opção para meningiomas pequenos, descobertos por acaso e sem sintomas. Isso quer dizer fazer ressonâncias periódicas, em geral uma vez por ano no início, para ver se o tumor cresce. Muitos crescem muito pouco ou param de crescer.
A cirurgia passa a ser considerada quando:
- o meningioma causa sintomas;
- ele cresce de forma clara entre um exame e outro;
- está em um local onde o crescimento pode trazer risco, como perto do nervo óptico;
- há inchaço importante do cérebro ao redor;
- a imagem sugere um tumor de grau mais alto.
Essas situações fazem parte da avaliação descrita na página de tumor cerebral e tumor de coluna, que resume as etapas do diagnóstico ao acompanhamento.
A decisão também leva em conta a idade, a saúde geral e a vontade do paciente. Em pessoas mais velhas ou com outras doenças, os riscos da cirurgia pesam mais na balança. Por isso, a indicação depende sempre da avaliação individual.
Como é a cirurgia e quais são as alternativas?
Quando indicada, a cirurgia é o tratamento principal dos meningiomas com sintomas ou em crescimento. Ela é feita, em geral, por uma craniotomia: o neurocirurgião abre uma pequena janela no osso do crânio, retira o tumor e recoloca o osso. O objetivo é remover o tumor por completo, junto com a parte da meninge onde ele estava preso, sempre que isso for seguro.
Em alguns casos, retirar tudo traria risco alto, por exemplo quando o tumor envolve nervos ou vasos importantes. Nessa situação, a equipe pode optar por retirar a maior parte e acompanhar ou tratar o restante.
Além da cirurgia, existem duas alternativas principais, discutidas com a radioterapia:
- Radiocirurgia: concentra a radiação em poucas sessões. A diretriz europeia a considera uma alternativa para meningiomas pequenos, em geral de até 3 centímetros, em casos selecionados.
- Radioterapia fracionada: dividida em várias sessões. Costuma ser indicada após retirada incompleta, em tumores de grau 2 ou 3, ou quando a cirurgia não é segura.
A diferença entre as duas é explicada em radioterapia ou radiocirurgia no tumor cerebral.
Como é o acompanhamento depois do tratamento?
Mesmo depois da cirurgia, o acompanhamento continua. A diretriz europeia sugere ressonância anual por cerca de cinco anos para os meningiomas de grau 1 e intervalos menores, de seis meses, para os de grau 2. Depois, os intervalos podem aumentar conforme a evolução.
A maior parte das pessoas retoma a rotina depois da recuperação. Em Ribeirão Preto, o acompanhamento pode ser feito em consultório, com a revisão das imagens a cada etapa. Para saber como são os primeiros dias após a operação, veja recuperação da cirurgia de tumor cerebral.
Quando procurar atendimento
Procure uma consulta se o laudo de uma ressonância mencionou meningioma, se você tem dor de cabeça que vem piorando, alteração da visão, da memória ou do comportamento, ou fraqueza em um lado do corpo.
Procure o pronto-socorro ou ligue 192 em caso de convulsão, perda súbita de força ou da fala, dor de cabeça súbita e muito forte, ou sonolência e confusão que aparecem de repente.
Se você tem esses sintomas, uma avaliação com neurocirurgião ajuda a entender a causa e as opções de tratamento.
Perguntas frequentes
Meningioma é câncer?
A maioria dos meningiomas é de grau 1, de crescimento lento e sem tendência a se espalhar. Uma parte menor é de grau 2 ou 3, com maior chance de voltar e crescimento mais rápido. O grau só é definido com a análise do tumor.
Meningioma pode voltar depois da cirurgia?
Pode. A chance depende principalmente do grau do tumor e de quanto dele foi possível retirar. Por isso o acompanhamento com ressonância continua por anos depois do tratamento, em intervalos definidos pela equipe.
Meningioma dá convulsão?
Pode dar, principalmente quando está sobre a superfície do cérebro e causa irritação ou inchaço ao redor. Quem teve convulsão precisa de avaliação médica e, muitas vezes, de remédio anticonvulsivante prescrito pelo médico.
Existe remédio que faça o meningioma diminuir?
Até o momento, as diretrizes não indicam remédio eficaz para tratar o meningioma de grau 1. Os tratamentos principais são acompanhamento, cirurgia e radioterapia. Medicamentos podem ser usados para controlar sintomas, como inchaço e convulsões.
Fontes consultadas
- Goldbrunner R e colaboradores. EANO guideline on the diagnosis and management of meningiomas. Neuro-Oncology, 2021 (abrir fonte)
- Louis DN e colaboradores. The 2021 WHO Classification of Tumors of the Central Nervous System: a summary. Neuro-Oncology, 2021 (abrir fonte)
- National Cancer Institute: Meningioma, diagnosis and treatment (abrir fonte)
Conteúdo revisado por Dr. Guilherme Veloso Gomes (CRM-SP 287794 · CRM-MG 82200) em 07/10/2026. Texto educativo, que não substitui a consulta médica, não serve para autodiagnóstico e não representa promessa de resultado. Cada caso depende de avaliação clínica, exame físico e, quando indicado, exames complementares. Em caso de sintomas súbitos ou intensos, procure o pronto-socorro ou ligue 192 (SAMU).