Cirurgia do cérebro

O que é craniotomia e como é feita?

Publicado em · Por Dr. Guilherme Veloso Gomes

Resposta direta: Craniotomia é a cirurgia em que o neurocirurgião retira temporariamente uma parte do osso do crânio para chegar ao cérebro. Ela é usada para tratar tumores, aneurismas, hematomas e outras lesões. Ao final, o osso costuma ser recolocado e fixado. A internação em geral dura alguns dias, com recuperação gradual em casa.

Quando o neurocirurgião fala em craniotomia, muita gente imagina algo muito agressivo. Na prática, é uma das cirurgias mais realizadas na neurocirurgia, com etapas bem definidas e cuidados de segurança em cada uma delas. Saber o que acontece antes, durante e depois ajuda a diminuir a ansiedade e a fazer as perguntas certas.

O que é craniotomia?

Craniotomia é a abertura temporária de uma parte do osso do crânio para que o neurocirurgião tenha acesso ao cérebro e às estruturas ao redor dele. Essa parte do osso, chamada de retalho ósseo, é retirada no início e, na maioria das vezes, recolocada no fim da cirurgia.

Quando o osso não é recolocado na mesma cirurgia, o procedimento se chama craniectomia. Isso pode ser necessário quando o cérebro está muito inchado, em algumas infecções ou em certos tumores. Nesses casos, o osso pode ser recolocado em uma cirurgia futura.

Quando a craniotomia é indicada?

A craniotomia é uma via de acesso, e não um tratamento em si. Ela é usada em várias situações, como:

  • retirar tumores ou fazer biópsia de uma lesão;
  • clipar um aneurisma cerebral;
  • retirar hematomas e aliviar a pressão depois de um traumatismo ou de um AVC hemorrágico;
  • tratar malformações dos vasos sanguíneos;
  • drenar abscessos;
  • tratar cistos, como o cisto aracnoide, quando há indicação;
  • tratar alguns casos de epilepsia;
  • aliviar a compressão de nervos.

Para tumores, veja também a página sobre tumor cerebral e tumor de coluna.

Como é o preparo?

Antes da cirurgia, o neurocirurgião revisa os exames de imagem e planeja o acesso. O preparo costuma incluir:

  1. exames de sangue e avaliação do risco cirúrgico e da anestesia;
  2. revisão de todos os remédios, com orientação sobre quais suspender e quando, principalmente anticoagulantes, antiagregantes e alguns anti-inflamatórios;
  3. orientação para parar de fumar, porque o cigarro prejudica a cicatrização;
  4. jejum conforme a orientação da equipe;
  5. em alguns casos, lavagem do cabelo com produto específico na véspera.

Nunca suspenda um remédio por conta própria. A lista do que parar e do que manter é individual.

Se você tem dúvidas sobre craniotomia, é possível agendar uma avaliação para entender o que se aplica ao seu caso.

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Como a craniotomia é feita?

Em geral, a cirurgia segue estas etapas:

  1. Anestesia: na maioria das vezes, anestesia geral. Em cirurgias perto de áreas da fala ou do movimento, pode ser feita a craniotomia com o paciente acordado em parte do tempo, para testar essas funções durante a cirurgia.
  2. Posicionamento e preparo da pele: a cabeça é fixada com segurança, uma pequena faixa de cabelo é raspada e a pele é limpa.
  3. Corte na pele: o local depende da região do cérebro a ser tratada.
  4. Abertura do osso: com instrumentos próprios, o neurocirurgião retira o retalho ósseo.
  5. Abertura da dura-máter: a membrana que recobre o cérebro é aberta.
  6. Tratamento da lesão: com microscópio e, quando disponível, sistema de navegação que funciona como um GPS a partir da ressonância ou tomografia.
  7. Fechamento: a dura-máter é fechada, o osso é recolocado e fixado com pequenas placas, e a pele é suturada.

O tempo de cirurgia varia muito conforme a doença tratada. Em alguns casos, é possível usar um endoscópio, uma câmera fina, por uma abertura menor, em vez de uma craniotomia ampla.

Como é a recuperação no hospital?

Nas primeiras horas, o paciente costuma ficar na UTI ou em uma unidade de observação. A equipe faz avaliações frequentes: pede para responder perguntas, apertar a mão, mexer os pés e examina as pupilas. É assim que se detectam cedo eventuais complicações.

É comum ter dor de cabeça, inchaço ao redor dos olhos ou do rosto do lado operado e cansaço. A cabeceira da cama fica elevada para ajudar a reduzir o inchaço. A internação costuma durar de 3 a 7 dias, segundo a MedlinePlus, mas varia conforme o caso.

Em algumas cirurgias, o paciente recebe remédios para prevenir convulsões ou para reduzir o inchaço do cérebro por um período, sempre conforme a prescrição. Alguns pacientes precisam de fisioterapia, fonoaudiologia ou terapia ocupacional ainda no hospital.

Como é a recuperação em casa?

A volta às atividades é gradual. Alguns cuidados comuns:

  • manter o corte limpo e seco, seguindo as orientações sobre o banho e a lavagem do cabelo;
  • não carregar peso nem fazer esforço até a liberação;
  • caminhar um pouco todos os dias, aumentando aos poucos;
  • tomar os remédios exatamente como prescritos;
  • não dirigir até ser liberado pelo neurocirurgião;
  • comparecer às consultas de retorno e à retirada dos pontos.

O tempo para voltar ao trabalho depende da doença tratada e do tipo de trabalho. Cansaço e dificuldade de concentração podem durar algumas semanas. Se a ansiedade com a cirurgia for grande, leia como lidar com a ansiedade antes de uma cirurgia. E para entender as possíveis complicações, veja quais são os riscos de uma cirurgia no cérebro.

Quando procurar atendimento

Depois da alta, procure o pronto-socorro ou ligue 192 se houver:

  • convulsão;
  • sonolência fora do comum, confusão ou dificuldade para acordar;
  • fraqueza nova em braço ou perna, fala alterada ou piora da visão;
  • dor de cabeça forte que piora, com vômitos;
  • falta de ar ou dor no peito.

Entre em contato com a equipe no mesmo dia se houver febre, vermelhidão, inchaço, secreção ou abertura do corte, ou saída de líquido claro pela ferida, pelo nariz ou pelo ouvido.

Antes de uma craniotomia, é normal ter muitas dúvidas. Em Ribeirão Preto, a consulta serve para revisar os exames, entender a indicação e conversar sobre o preparo e a recuperação. Saiba mais sobre a cirurgia do cérebro.

Se você tem esses sintomas, uma avaliação com neurocirurgião ajuda a entender a causa e as opções de tratamento.

Perguntas frequentes

Precisa raspar todo o cabelo para a craniotomia?

Em geral, não. Costuma-se raspar apenas uma faixa do couro cabeludo no local do corte, e em alguns casos quase nada. O cabelo volta a crescer normalmente e muitas vezes cobre a cicatriz.

A craniotomia dói muito?

A cirurgia é feita com anestesia, e o cérebro em si não sente dor. Depois, é comum ter dor de cabeça e incômodo no local do corte, que costumam ser controlados com os remédios prescritos pela equipe e melhoram ao longo dos dias.

O osso do crânio volta a ficar firme?

Sim. O osso recolocado é fixado com pequenas placas e parafusos, em geral de titânio, e se consolida com o tempo. Essas placas são compatíveis com ressonância magnética, o que permite fazer exames de controle depois da cirurgia.

Quando posso voltar a dirigir depois da craniotomia?

Depende da doença tratada, da recuperação e da ocorrência de convulsões. Em muitos casos a direção fica suspensa por algumas semanas, e em outros por mais tempo. A liberação deve ser dada pelo neurocirurgião na consulta de retorno.

Fontes consultadas

Conteúdo revisado por Dr. Guilherme Veloso Gomes (CRM-SP 287794 · CRM-MG 82200) em 07/10/2026. Texto educativo, que não substitui a consulta médica, não serve para autodiagnóstico e não representa promessa de resultado. Cada caso depende de avaliação clínica, exame físico e, quando indicado, exames complementares. Em caso de sintomas súbitos ou intensos, procure o pronto-socorro ou ligue 192 (SAMU).

Dr. Guilherme Veloso Gomes
Autoria e revisão médica Dr. Guilherme Veloso Gomes

Médico neurocirurgião. CRM-SP 287794 · CRM-MG 82200. Neurocirurgia: RQE-SP 151861, Neurocirurgia: RQE-MG 71371. Neurocirurgião em Ribeirão Preto, com residência em Neurocirurgia nos hospitais Felício Rocho e João XXIII, em Belo Horizonte (MG). Ver perfil completo

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