Resposta direta: Craniotomia é a cirurgia em que o neurocirurgião retira temporariamente uma parte do osso do crânio para chegar ao cérebro. Ela é usada para tratar tumores, aneurismas, hematomas e outras lesões. Ao final, o osso costuma ser recolocado e fixado. A internação em geral dura alguns dias, com recuperação gradual em casa.
Quando o neurocirurgião fala em craniotomia, muita gente imagina algo muito agressivo. Na prática, é uma das cirurgias mais realizadas na neurocirurgia, com etapas bem definidas e cuidados de segurança em cada uma delas. Saber o que acontece antes, durante e depois ajuda a diminuir a ansiedade e a fazer as perguntas certas.
O que é craniotomia?
Craniotomia é a abertura temporária de uma parte do osso do crânio para que o neurocirurgião tenha acesso ao cérebro e às estruturas ao redor dele. Essa parte do osso, chamada de retalho ósseo, é retirada no início e, na maioria das vezes, recolocada no fim da cirurgia.
Quando o osso não é recolocado na mesma cirurgia, o procedimento se chama craniectomia. Isso pode ser necessário quando o cérebro está muito inchado, em algumas infecções ou em certos tumores. Nesses casos, o osso pode ser recolocado em uma cirurgia futura.
Quando a craniotomia é indicada?
A craniotomia é uma via de acesso, e não um tratamento em si. Ela é usada em várias situações, como:
- retirar tumores ou fazer biópsia de uma lesão;
- clipar um aneurisma cerebral;
- retirar hematomas e aliviar a pressão depois de um traumatismo ou de um AVC hemorrágico;
- tratar malformações dos vasos sanguíneos;
- drenar abscessos;
- tratar cistos, como o cisto aracnoide, quando há indicação;
- tratar alguns casos de epilepsia;
- aliviar a compressão de nervos.
Para tumores, veja também a página sobre tumor cerebral e tumor de coluna.
Como é o preparo?
Antes da cirurgia, o neurocirurgião revisa os exames de imagem e planeja o acesso. O preparo costuma incluir:
- exames de sangue e avaliação do risco cirúrgico e da anestesia;
- revisão de todos os remédios, com orientação sobre quais suspender e quando, principalmente anticoagulantes, antiagregantes e alguns anti-inflamatórios;
- orientação para parar de fumar, porque o cigarro prejudica a cicatrização;
- jejum conforme a orientação da equipe;
- em alguns casos, lavagem do cabelo com produto específico na véspera.
Nunca suspenda um remédio por conta própria. A lista do que parar e do que manter é individual.
Se você tem dúvidas sobre craniotomia, é possível agendar uma avaliação para entender o que se aplica ao seu caso.
Agendar pelo WhatsAppComo a craniotomia é feita?
Em geral, a cirurgia segue estas etapas:
- Anestesia: na maioria das vezes, anestesia geral. Em cirurgias perto de áreas da fala ou do movimento, pode ser feita a craniotomia com o paciente acordado em parte do tempo, para testar essas funções durante a cirurgia.
- Posicionamento e preparo da pele: a cabeça é fixada com segurança, uma pequena faixa de cabelo é raspada e a pele é limpa.
- Corte na pele: o local depende da região do cérebro a ser tratada.
- Abertura do osso: com instrumentos próprios, o neurocirurgião retira o retalho ósseo.
- Abertura da dura-máter: a membrana que recobre o cérebro é aberta.
- Tratamento da lesão: com microscópio e, quando disponível, sistema de navegação que funciona como um GPS a partir da ressonância ou tomografia.
- Fechamento: a dura-máter é fechada, o osso é recolocado e fixado com pequenas placas, e a pele é suturada.
O tempo de cirurgia varia muito conforme a doença tratada. Em alguns casos, é possível usar um endoscópio, uma câmera fina, por uma abertura menor, em vez de uma craniotomia ampla.
Como é a recuperação no hospital?
Nas primeiras horas, o paciente costuma ficar na UTI ou em uma unidade de observação. A equipe faz avaliações frequentes: pede para responder perguntas, apertar a mão, mexer os pés e examina as pupilas. É assim que se detectam cedo eventuais complicações.
É comum ter dor de cabeça, inchaço ao redor dos olhos ou do rosto do lado operado e cansaço. A cabeceira da cama fica elevada para ajudar a reduzir o inchaço. A internação costuma durar de 3 a 7 dias, segundo a MedlinePlus, mas varia conforme o caso.
Em algumas cirurgias, o paciente recebe remédios para prevenir convulsões ou para reduzir o inchaço do cérebro por um período, sempre conforme a prescrição. Alguns pacientes precisam de fisioterapia, fonoaudiologia ou terapia ocupacional ainda no hospital.
Como é a recuperação em casa?
A volta às atividades é gradual. Alguns cuidados comuns:
- manter o corte limpo e seco, seguindo as orientações sobre o banho e a lavagem do cabelo;
- não carregar peso nem fazer esforço até a liberação;
- caminhar um pouco todos os dias, aumentando aos poucos;
- tomar os remédios exatamente como prescritos;
- não dirigir até ser liberado pelo neurocirurgião;
- comparecer às consultas de retorno e à retirada dos pontos.
O tempo para voltar ao trabalho depende da doença tratada e do tipo de trabalho. Cansaço e dificuldade de concentração podem durar algumas semanas. Se a ansiedade com a cirurgia for grande, leia como lidar com a ansiedade antes de uma cirurgia. E para entender as possíveis complicações, veja quais são os riscos de uma cirurgia no cérebro.
Quando procurar atendimento
Depois da alta, procure o pronto-socorro ou ligue 192 se houver:
- convulsão;
- sonolência fora do comum, confusão ou dificuldade para acordar;
- fraqueza nova em braço ou perna, fala alterada ou piora da visão;
- dor de cabeça forte que piora, com vômitos;
- falta de ar ou dor no peito.
Entre em contato com a equipe no mesmo dia se houver febre, vermelhidão, inchaço, secreção ou abertura do corte, ou saída de líquido claro pela ferida, pelo nariz ou pelo ouvido.
Antes de uma craniotomia, é normal ter muitas dúvidas. Em Ribeirão Preto, a consulta serve para revisar os exames, entender a indicação e conversar sobre o preparo e a recuperação. Saiba mais sobre a cirurgia do cérebro.
Se você tem esses sintomas, uma avaliação com neurocirurgião ajuda a entender a causa e as opções de tratamento.
Perguntas frequentes
Precisa raspar todo o cabelo para a craniotomia?
Em geral, não. Costuma-se raspar apenas uma faixa do couro cabeludo no local do corte, e em alguns casos quase nada. O cabelo volta a crescer normalmente e muitas vezes cobre a cicatriz.
A craniotomia dói muito?
A cirurgia é feita com anestesia, e o cérebro em si não sente dor. Depois, é comum ter dor de cabeça e incômodo no local do corte, que costumam ser controlados com os remédios prescritos pela equipe e melhoram ao longo dos dias.
O osso do crânio volta a ficar firme?
Sim. O osso recolocado é fixado com pequenas placas e parafusos, em geral de titânio, e se consolida com o tempo. Essas placas são compatíveis com ressonância magnética, o que permite fazer exames de controle depois da cirurgia.
Quando posso voltar a dirigir depois da craniotomia?
Depende da doença tratada, da recuperação e da ocorrência de convulsões. Em muitos casos a direção fica suspensa por algumas semanas, e em outros por mais tempo. A liberação deve ser dada pelo neurocirurgião na consulta de retorno.
Fontes consultadas
- MedlinePlus: Brain surgery (abrir fonte)
- MedlinePlus: Cirugía del cerebro (abrir fonte)
- MedlinePlus: Brain surgery, discharge (abrir fonte)
Conteúdo revisado por Dr. Guilherme Veloso Gomes (CRM-SP 287794 · CRM-MG 82200) em 07/10/2026. Texto educativo, que não substitui a consulta médica, não serve para autodiagnóstico e não representa promessa de resultado. Cada caso depende de avaliação clínica, exame físico e, quando indicado, exames complementares. Em caso de sintomas súbitos ou intensos, procure o pronto-socorro ou ligue 192 (SAMU).