Resposta direta: Ansiedade antes de uma cirurgia é comum: uma revisão de 2022 encontrou esse quadro em cerca de metade dos pacientes. Costuma ajudar entender bem a indicação e cada etapa, levar as dúvidas por escrito à consulta, praticar relaxamento e respiração e contar com apoio. Quem já trata ansiedade deve avisar a equipe e não parar remédios por conta própria.
Receber a indicação de uma cirurgia, principalmente na coluna ou no cérebro, costuma vir junto com muitas perguntas. Vai doer? E a anestesia? Quanto tempo vou ficar parado? E se der errado? Sentir medo nesse momento é humano e muito comum.
A boa notícia é que existem formas simples de deixar esse período mais leve. Neste texto, você vai ver por que a ansiedade aparece, o que costuma ajudar e quando ela pede apoio profissional.
A ansiedade antes da cirurgia é comum?
Sim. Uma revisão sistemática publicada em 2022 na BMJ Open reuniu 27 estudos de 12 países de renda baixa e média, com mais de 5.500 pacientes, e encontrou ansiedade antes da cirurgia em cerca de 56% deles. Ou seja, mais ou menos um em cada dois pacientes. A taxa foi maior entre mulheres.
Outra revisão, publicada no mesmo ano na Frontiers in Public Health, mostra que os números variam muito entre os estudos em adultos, de 11% a 80%, dependendo do tipo de cirurgia e da forma de medir.
Por que a cirurgia dá tanto medo?
As causas mais citadas nos estudos são:
- a espera pela cirurgia;
- a preocupação com o resultado;
- o medo da dor depois da operação;
- o medo da anestesia, de complicações e da morte;
- a separação da família durante a internação;
- a perda temporária da independência.
Em cirurgias neurológicas, o medo costuma ser maior porque envolve o cérebro ou a coluna. Entender exatamente o que será feito, e por quê, ajuda a colocar esse medo no tamanho certo. Se a sua cirurgia é na coluna, leia como se preparar para uma cirurgia de coluna e quais são os riscos da cirurgia de coluna. Para cirurgias no cérebro, veja quais são os riscos de uma cirurgia no cérebro.
O que costuma ajudar?
A revisão da Frontiers in Public Health reuniu estudos sobre medidas sem remédio para a ansiedade antes da cirurgia. Entre as estudadas estão terapia cognitivo-comportamental, música, vídeos de preparo, técnicas de relaxamento com imaginação guiada, hipnose e massagem, com resultados favoráveis em vários estudos. Uma revisão de 2022 sobre programas de psicoeducação, que ensinam sobre a ansiedade, explicam o processo cirúrgico e treinam técnicas de controle, também apontou benefício, embora com poucos estudos.
Na prática, algumas atitudes simples costumam ajudar:
- Entender a indicação: saber por que a cirurgia foi indicada, quais as alternativas e o que se espera dela.
- Levar as dúvidas por escrito: anotar as perguntas antes da consulta evita esquecer o que é importante.
- Conhecer as etapas: jejum, internação, anestesia, tempo de cirurgia, primeiros dias e retorno às atividades.
- Organizar a volta para casa: quem vai acompanhar, como será o transporte, o que precisa estar pronto.
- Praticar respiração lenta e relaxamento: alguns minutos por dia nas semanas antes da cirurgia.
- Manter a rotina: sono, alimentação e atividade física dentro do permitido.
- Falar sobre o medo: com a família, com a equipe e, se preciso, com um psicólogo.
Se você tem dúvidas sobre ansiedade antes da cirurgia, é possível agendar uma avaliação para entender o que se aplica ao seu caso.
Agendar pelo WhatsAppQue perguntas levar para a consulta?
Uma lista simples pode ajudar:
- Por que essa cirurgia é indicada no meu caso e o que acontece se eu não operar?
- Quais são os riscos mais comuns e os mais graves?
- Como será a anestesia?
- Quanto tempo devo ficar internado?
- Como vai ser a dor depois e como ela será controlada?
- Quando posso voltar a andar, dirigir e trabalhar?
- Quais sinais depois da cirurgia pedem contato com a equipe?
Sobre o retorno às atividades, veja quanto tempo depois da cirurgia de coluna posso voltar a trabalhar.
E quem já trata ansiedade ou depressão?
Quem já faz acompanhamento com psiquiatra ou psicólogo deve contar isso ao cirurgião e ao anestesista. Informe todos os remédios em uso, com nome e dose, e não pare nem troque nenhum deles por conta própria. A equipe orienta o que manter e o que ajustar, em conjunto com o psiquiatra.
Também não tome calmantes por conta própria na véspera. A revisão da Frontiers in Public Health lembra que remédios para ansiedade podem causar sonolência, problemas na respiração e interferência com a anestesia. Se a ansiedade estiver muito forte, a equipe avalia a conduta.
O diagnóstico e o tratamento de ansiedade e depressão são feitos por psiquiatra e psicólogo. O neurocirurgião trabalha junto: explica a cirurgia, esclarece dúvidas e encaminha quando percebe que o paciente precisa de mais apoio. Veja a página de ansiedade e depressão na dor crônica e nas doenças neurológicas e a de cirurgia de coluna.
Quando procurar atendimento
Procure apoio em saúde mental se a ansiedade estiver tirando o sono por vários dias, se houver crises de pânico, se o medo fizer você pensar em desistir de uma cirurgia importante sem conversar com o médico ou se houver tristeza intensa e perda de interesse pelas coisas. Converse também com o cirurgião: às vezes, uma nova consulta para tirar dúvidas já ajuda muito.
Busque ajuda imediata se houver:
- pensamentos de morte ou de se machucar: ligue 188 para o CVV, que atende de graça, 24 horas por dia, ou use o chat em cvv.org.br;
- risco imediato de vida: ligue 192 (SAMU) ou vá ao pronto-socorro;
- piora súbita dos sintomas que levaram à indicação da cirurgia, como perda de força nas pernas ou nos braços, perda de controle da urina ou das fezes, dor de cabeça súbita e muito forte ou convulsão.
Em Ribeirão Preto, as cirurgias neurológicas costumam ser feitas em hospitais com equipe multiprofissional, e é possível pedir apoio psicológico durante a internação quando o hospital oferece esse serviço.
Se você tem uma cirurgia indicada e muitas dúvidas, uma avaliação com neurocirurgião ajuda a entender a causa e as opções de tratamento, e o apoio psicológico ajuda a passar por essa fase com mais tranquilidade.
Perguntas frequentes
É normal ter medo da anestesia?
Sim, é um dos medos mais comuns. A consulta com o anestesista antes da cirurgia é o momento de perguntar sobre o tipo de anestesia, o jejum, os remédios em uso e como será o despertar. Conhecer o processo costuma diminuir a insegurança.
Devo parar meus remédios para ansiedade ou depressão antes da cirurgia?
Não pare por conta própria. Informe ao cirurgião e ao anestesista todos os remédios que você usa, com nome e dose. A equipe orienta o que manter, o que ajustar e por quanto tempo, se for o caso, em conjunto com o psiquiatra.
Posso tomar calmante por conta própria na véspera?
Não. Calmantes podem interagir com a anestesia e com outros remédios e causar sonolência e problemas na respiração. Se a ansiedade estiver muito forte, converse com a equipe médica, que avalia a conduta adequada para o seu caso.
A ansiedade pode atrapalhar a cirurgia?
A ansiedade antes da cirurgia é estudada porque pode ter efeitos físicos e emocionais antes da operação e na recuperação. Por isso ela merece atenção. Na maioria das vezes, informação, preparo e apoio bastam para deixar o processo mais tranquilo.
Fontes consultadas
- Bedaso A e colaboradores. Prevalence and factors associated with preoperative anxiety among patients undergoing surgery in low-income and middle-income countries: a systematic review and meta-analysis. BMJ Open, 2022 (abrir fonte)
- Wang R e colaboradores. Non-pharmacologic Approaches in Preoperative Anxiety, a Comprehensive Review. Frontiers in Public Health, 2022 (abrir fonte)
- Oliveira P e colaboradores. Psychoeducation Programs to Reduce Preoperative Anxiety in Adults: A Scoping Review. International Journal of Environmental Research and Public Health, 2022 (abrir fonte)
Conteúdo revisado por Dr. Guilherme Veloso Gomes (CRM-SP 287794 · CRM-MG 82200) em 07/10/2026. Texto educativo, que não substitui a consulta médica, não serve para autodiagnóstico e não representa promessa de resultado. Cada caso depende de avaliação clínica, exame físico e, quando indicado, exames complementares. Em caso de sintomas súbitos ou intensos, procure o pronto-socorro ou ligue 192 (SAMU).