Resposta direta: Hidrocefalia é o acúmulo de líquor, o líquido que envolve o cérebro, dentro das cavidades cerebrais. O excesso aumenta a pressão e pode lesar o cérebro. O tratamento costuma ser cirúrgico, com uma válvula que desvia o líquido para outra parte do corpo ou com uma cirurgia endoscópica que cria um novo caminho para ele circular.
O cérebro fica envolvido por um líquido chamado líquor, ou liquor. Ele protege o sistema nervoso, leva nutrientes e é produzido o tempo todo dentro de cavidades do cérebro chamadas ventrículos. Quando esse líquido se acumula, aparece a hidrocefalia. Entender o problema ajuda a reconhecer os sinais de alerta e a conversar melhor com a equipe médica.
O que é hidrocefalia?
Em condições normais, o líquor é produzido nos ventrículos, circula por canais estreitos, passa para a superfície do cérebro e da medula e depois é absorvido para o sangue. Existe um equilíbrio entre o que se produz e o que se absorve.
A hidrocefalia acontece quando esse equilíbrio se perde. O líquido se acumula, os ventrículos se dilatam e a pressão dentro da cabeça pode aumentar. Se não for tratada, a hidrocefalia pode lesar o cérebro e, em casos graves, colocar a vida em risco.
Quais são os tipos de hidrocefalia?
De forma simples, há três grupos principais:
- Congênita: já presente ao nascer. Pode estar ligada à espinha bífida, a infecções na gestação ou a alterações no desenvolvimento do cérebro.
- Adquirida: surge depois do nascimento, em crianças ou adultos. Costuma vir após sangramentos no cérebro, como o de um aneurisma cerebral rompido, meningite, traumatismo craniano ou tumores que bloqueiam a passagem do líquor.
- De pressão normal: aparece em geral depois dos 60 anos, com problemas na marcha, na memória e no controle da urina. Ela tem um artigo próprio: o que é hidrocefalia de pressão normal.
Os médicos também falam em hidrocefalia obstrutiva, quando há um bloqueio no caminho do líquor, e comunicante, quando o problema está na absorção.
Quais são os sintomas?
Os sintomas variam com a idade e com a velocidade com que o líquido se acumula.
Em bebês, a cabeça ainda pode crescer, porque os ossos do crânio não estão fechados. Os sinais mais comuns são:
- crescimento rápido do tamanho da cabeça;
- moleira (fontanela) abaulada e tensa;
- vômitos, irritabilidade e sonolência;
- dificuldade para mamar;
- olhos voltados para baixo, o chamado sinal do sol poente.
Em crianças maiores e adultos, a cabeça não cresce, e a pressão aumenta mais rápido. Podem aparecer:
- dor de cabeça, muitas vezes pior ao acordar;
- náuseas e vômitos;
- visão embaçada ou dupla;
- sonolência e dificuldade de concentração;
- desequilíbrio e dificuldade para andar.
Em adultos, a hidrocefalia que se instala depressa, por exemplo depois de um sangramento, pode causar piora rápida do nível de consciência e é tratada como urgência.
Se você tem dúvidas sobre hidrocefalia, é possível agendar uma avaliação para entender o que se aplica ao seu caso.
Agendar pelo WhatsAppComo é feito o diagnóstico?
O diagnóstico começa com a consulta e o exame neurológico. Em seguida, os exames de imagem mostram o tamanho dos ventrículos e, muitas vezes, a causa:
- Ultrassom transfontanela: usado em bebês, pela moleira, sem radiação.
- Tomografia de crânio: rápida e muito usada em urgências.
- Ressonância magnética: mostra mais detalhes e ajuda a achar o ponto de bloqueio.
Em alguns casos, também se avalia o fundo de olho, que pode mostrar sinais de pressão alta dentro da cabeça.
Como a hidrocefalia é tratada?
O tratamento costuma ser cirúrgico. Quando a hidrocefalia é causada por algo que pode ser removido, como um tumor ou um cisto, tratar a causa pode resolver o acúmulo de líquido. Fora isso, há dois caminhos principais.
Válvula (derivação). É um sistema com um tubo fino e uma válvula que controla a saída do líquor. Uma ponta fica dentro do ventrículo, e o tubo passa por baixo da pele até outra parte do corpo, onde o líquido é absorvido. O destino mais comum é o abdome, na chamada derivação ventrículo-peritoneal. Algumas válvulas podem ter a pressão ajustada por fora, com um aparelho magnético.
Terceiroventriculostomia endoscópica. Com um endoscópio, uma câmera fina, o neurocirurgião faz uma pequena abertura no assoalho de um dos ventrículos. Assim, o líquor ganha um novo caminho para circular, sem precisar de válvula. Essa técnica funciona melhor em alguns tipos de hidrocefalia obstrutiva, e a indicação depende da causa, da idade e da anatomia de cada paciente.
Nenhuma das opções é isenta de complicações. A válvula pode entupir, infectar, se desconectar ou drenar líquido demais. A cirurgia endoscópica pode deixar de funcionar com o tempo. Por isso, o acompanhamento depois do tratamento é tão importante quanto a cirurgia. Leia também sobre os riscos da cirurgia no cérebro.
Como é a vida depois do tratamento?
Muitas pessoas com hidrocefalia tratada estudam, trabalham e praticam atividades físicas. O que muda é a atenção a alguns cuidados:
- comparecer às consultas e exames de controle;
- avisar a qualquer médico que tem válvula, principalmente antes de ressonância ou cirurgias no abdome;
- conhecer os sinais de mau funcionamento da válvula;
- em crianças, acompanhar o desenvolvimento com pediatra e, se preciso, com terapias de apoio.
Quando procurar atendimento
Procure o pronto-socorro ou ligue 192 se houver:
- dor de cabeça forte que piora rapidamente, com vômitos;
- sonolência fora do comum, dificuldade para acordar ou confusão;
- convulsão;
- piora súbita da visão;
- em bebês, moleira abaulada, vômitos repetidos, choro diferente ou muita sonolência.
Quem já tem válvula deve ficar atento também a febre, vermelhidão ou inchaço ao longo do trajeto do tubo e à volta dos sintomas que existiam antes da cirurgia. Esses sinais podem indicar infecção ou falha da válvula e precisam de avaliação no mesmo dia.
Fora da urgência, vale marcar uma consulta se um exame mostrou ventrículos aumentados, se a dor de cabeça mudou de padrão ou se há dificuldade progressiva para andar. Em Ribeirão Preto, a avaliação pode ser feita em consultório, com revisão dos exames. Saiba mais sobre a cirurgia do cérebro.
Se você tem esses sintomas, uma avaliação com neurocirurgião ajuda a entender a causa e as opções de tratamento.
Perguntas frequentes
Hidrocefalia tem cura?
Na maioria dos casos, a hidrocefalia é controlada com cirurgia, e não eliminada de vez. Quando a causa é uma obstrução que pode ser removida, às vezes o problema se resolve. Em geral, o acompanhamento continua ao longo da vida para verificar o funcionamento da válvula ou do novo caminho do líquor.
A válvula precisa ser trocada?
Algumas pessoas passam muitos anos com a mesma válvula. Outras precisam de revisão por obstrução, infecção, desconexão ou, nas crianças, pelo crescimento. A troca só é feita quando há sinal de mau funcionamento ou outra indicação.
Quem tem válvula pode fazer ressonância magnética?
Em geral, sim. Algumas válvulas são programáveis por ímã e podem ter a regulagem alterada pelo campo magnético do aparelho. Por isso, avise sempre que tem válvula, porque pode ser preciso conferir ou reajustar a pressão depois do exame.
Hidrocefalia em adulto é comum?
Pode acontecer em qualquer idade. Em adultos, costuma surgir depois de sangramentos, infecções, traumatismos ou tumores. Em pessoas acima de 60 anos, existe uma forma específica, a hidrocefalia de pressão normal, que afeta a marcha, a memória e o controle da urina.
Fontes consultadas
- NHS: Hydrocephalus (abrir fonte)
- MedlinePlus: Hidrocefalia (abrir fonte)
- AANS: Hydrocephalus (abrir fonte)
Conteúdo revisado por Dr. Guilherme Veloso Gomes (CRM-SP 287794 · CRM-MG 82200) em 07/10/2026. Texto educativo, que não substitui a consulta médica, não serve para autodiagnóstico e não representa promessa de resultado. Cada caso depende de avaliação clínica, exame físico e, quando indicado, exames complementares. Em caso de sintomas súbitos ou intensos, procure o pronto-socorro ou ligue 192 (SAMU).