Cirurgia do cérebro

O que é hidrocefalia de pressão normal?

Publicado em · Por Dr. Guilherme Veloso Gomes

Resposta direta: Hidrocefalia de pressão normal é o acúmulo de líquor nos ventrículos do cérebro, comum depois dos 60 anos, que causa dificuldade para andar, esquecimento e perda de urina. Os sintomas podem ser confundidos com envelhecimento ou Alzheimer. O diagnóstico usa exames de imagem e testes com retirada de líquor, e o tratamento costuma ser uma válvula.

Andar arrastando os pés, esquecer as coisas e às vezes perder urina. Muitas famílias atribuem esse conjunto de sinais à idade. Em parte das pessoas, porém, a causa é a hidrocefalia de pressão normal, uma condição que pode melhorar com tratamento. Por isso vale conhecer os sinais e investigar.

O que é hidrocefalia de pressão normal?

É um tipo de hidrocefalia, ou seja, um acúmulo de líquor nos ventrículos, as cavidades internas do cérebro. O nome "pressão normal" vem do fato de que, quando se mede a pressão do líquor em uma punção lombar, ela costuma estar dentro ou perto do normal.

Mesmo assim, os ventrículos dilatados alteram o funcionamento de áreas próximas do cérebro, ligadas ao controle da marcha, da atenção e da bexiga.

Ela aparece com mais frequência depois dos 60 anos. Na maioria das vezes, a causa não é conhecida, e o médico fala em hidrocefalia de pressão normal idiopática. Em outros casos, ela surge depois de hemorragia no cérebro, meningite, traumatismo craniano ou cirurgias.

Quais são os sintomas?

Os sintomas costumam aparecer devagar, ao longo de meses. São três os principais, e nem sempre todos estão presentes:

  • Alteração da marcha: passos curtos, pés afastados, sensação de que os pés estão grudados no chão, dificuldade para começar a andar e para fazer curvas, desequilíbrio e quedas.
  • Alterações cognitivas: lentidão para pensar, desatenção, esquecimento e apatia.
  • Alterações urinárias: urgência para urinar, aumento da frequência e, com o tempo, perda de urina.

A dificuldade para andar costuma ser o primeiro sinal e o mais marcante. Esse detalhe ajuda a diferenciar a doença de outras causas de esquecimento.

Por que ela é confundida com outras doenças?

Os mesmos sintomas aparecem em várias condições comuns na terceira idade, como Alzheimer, doença de Parkinson, artrose, estenose do canal lombar e problemas de próstata. Além disso, mais de uma doença pode existir na mesma pessoa.

Outro ponto é que os ventrículos também podem parecer maiores na imagem por causa da atrofia, a perda de tecido cerebral que acompanha o envelhecimento e algumas demências. Nesses casos, o aumento dos ventrículos não significa hidrocefalia, e a cirurgia não traria benefício.

Por isso o diagnóstico exige uma avaliação cuidadosa, muitas vezes com a participação de neurologista, neurocirurgião, fisioterapeuta e geriatra. Se a dificuldade para andar vem junto com dor nas pernas ao caminhar, vale ler também sobre estenose do canal lombar.

Se você tem dúvidas sobre hidrocefalia de pressão normal, é possível agendar uma avaliação para entender o que se aplica ao seu caso.

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Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico combina sintomas, imagem e testes. Em geral, segue estes passos:

  1. Consulta e exame neurológico: o médico observa a marcha, testa o equilíbrio, avalia a memória e pergunta sobre a urina.
  2. Exames de imagem: a tomografia ou, de preferência, a ressonância mostram ventrículos aumentados. Alguns padrões na imagem reforçam a suspeita.
  3. Teste de punção lombar (tap test): retira-se uma quantidade de líquor pela coluna lombar. A marcha e outros testes são feitos antes da retirada e repetidos nas horas ou dias seguintes. A melhora sugere que a pessoa pode se beneficiar da cirurgia.
  4. Drenagem lombar externa: em alguns casos, um cateter fino fica alguns dias na coluna, retirando líquor de forma contínua, com nova avaliação depois.

Um teste negativo não exclui totalmente a doença. Por isso, a decisão final considera o conjunto das informações.

Como é o tratamento?

O tratamento estabelecido é a cirurgia de derivação do líquor, com uma válvula. Um tubo fino leva o excesso de líquido para outra parte do corpo, onde ele é absorvido. As opções mais usadas são:

  • derivação ventrículo-peritoneal: do ventrículo para o abdome;
  • derivação lombo-peritoneal: da coluna lombar para o abdome, usada em alguns serviços e em casos selecionados.

Muitas válvulas são programáveis. A pressão de abertura pode ser ajustada por fora, com um aparelho magnético, sem nova cirurgia. Isso ajuda a equilibrar a melhora dos sintomas com o risco de drenar líquido demais.

Os resultados variam. A marcha costuma ser o sintoma que mais melhora. Memória e urina tendem a responder menos, especialmente quando a doença já existe há muito tempo ou quando há outras doenças associadas. Nem todos melhoram, e a indicação depende da avaliação individual.

Como toda cirurgia, a derivação tem riscos: infecção, obstrução da válvula, drenagem excessiva e coleções de líquido ou sangue sobre o cérebro, como o hematoma subdural. Esses pontos são discutidos antes da decisão. Veja mais em riscos da cirurgia no cérebro.

Como é o acompanhamento depois da válvula?

Depois da cirurgia, as consultas de controle servem para avaliar a resposta e, se a válvula for programável, ajustar a regulagem. A fisioterapia ajuda a recuperar a confiança para andar e a prevenir quedas.

Manter-se ativo também conta: caminhadas acompanhadas, exercícios de equilíbrio e uma casa adaptada, com menos tapetes soltos e mais pontos de apoio, reduzem o risco de quedas enquanto a marcha se recupera.

A família tem papel importante: observar se a marcha piorou de novo, se há sonolência ou dor de cabeça nova, e levar essas informações à consulta.

Quando procurar atendimento

Marque uma consulta se você ou alguém da família tem:

  • dificuldade progressiva para andar, passos curtos ou quedas frequentes;
  • esquecimento e lentidão que surgiram junto com a alteração da marcha;
  • urgência ou perda de urina sem outra explicação;
  • exame de imagem com ventrículos aumentados.

Procure o pronto-socorro ou ligue 192 em caso de piora súbita: confusão, sonolência difícil de despertar, fraqueza de um lado do corpo, dificuldade para falar ou convulsão. Quem já tem válvula e apresenta dor de cabeça forte, vômitos, febre ou sonolência também deve ser avaliado no mesmo dia.

Em Ribeirão Preto, a investigação começa no consultório, com revisão dos exames e avaliação da marcha. Saiba mais sobre a cirurgia do cérebro.

Se você tem esses sintomas, uma avaliação com neurocirurgião ajuda a entender a causa e as opções de tratamento.

Perguntas frequentes

Hidrocefalia de pressão normal é a mesma coisa que Alzheimer?

Não. São doenças diferentes, embora possam causar esquecimento e às vezes existam juntas na mesma pessoa. Na hidrocefalia de pressão normal, a dificuldade para andar costuma aparecer primeiro e ser o sintoma mais marcante. Diferenciar as duas é importante, porque a hidrocefalia pode melhorar com tratamento.

Todo idoso com ventrículos grandes na tomografia tem essa doença?

Não. Os ventrículos podem ficar maiores com o envelhecimento e com a perda de tecido cerebral, o que se chama atrofia. O diagnóstico depende da combinação entre os sintomas, o padrão da imagem e, muitas vezes, a resposta aos testes com retirada de líquor.

Quanto tempo depois da cirurgia aparece a melhora?

Em quem responde ao tratamento, a marcha costuma ser o primeiro sintoma a melhorar, às vezes já nas primeiras semanas. Memória e controle da urina podem levar mais tempo e melhorar menos. A resposta varia bastante de pessoa para pessoa.

Existe remédio para hidrocefalia de pressão normal?

Até hoje, não há remédio que trate a causa. O tratamento estabelecido é a cirurgia de derivação do líquor, com válvula. Fisioterapia, prevenção de quedas e o controle de outras doenças ajudam no cuidado geral.

Fontes consultadas

  • MedlinePlus: Hidrocefalia normotensiva (abrir fonte)
  • AANS: Adult-onset Hydrocephalus (abrir fonte)
  • Guidelines for Management of Idiopathic Normal Pressure Hydrocephalus, Third Edition (Neurol Med Chir, 2021) (abrir fonte)

Conteúdo revisado por Dr. Guilherme Veloso Gomes (CRM-SP 287794 · CRM-MG 82200) em 07/10/2026. Texto educativo, que não substitui a consulta médica, não serve para autodiagnóstico e não representa promessa de resultado. Cada caso depende de avaliação clínica, exame físico e, quando indicado, exames complementares. Em caso de sintomas súbitos ou intensos, procure o pronto-socorro ou ligue 192 (SAMU).

Dr. Guilherme Veloso Gomes
Autoria e revisão médica Dr. Guilherme Veloso Gomes

Médico neurocirurgião. CRM-SP 287794 · CRM-MG 82200. Neurocirurgia: RQE-SP 151861, Neurocirurgia: RQE-MG 71371. Neurocirurgião em Ribeirão Preto, com residência em Neurocirurgia nos hospitais Felício Rocho e João XXIII, em Belo Horizonte (MG). Ver perfil completo

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