Resposta direta: Glioma é um tumor que nasce das células glia, que dão suporte aos neurônios. Pela classificação da OMS de 2021, os principais gliomas do adulto são o astrocitoma IDH-mutante, o oligodendroglioma e o glioblastoma. O tratamento costuma combinar cirurgia, quando segura, com radioterapia e quimioterapia, definidas em equipe conforme o tipo e o grau.
O nome glioma reúne um grupo de tumores que nascem dentro do próprio cérebro. Eles podem ter comportamentos muito diferentes: alguns crescem devagar durante anos, outros evoluem mais rápido. Por isso, ouvir a palavra glioma é só o começo da conversa. O que define o caminho é o tipo exato, o grau e as características moleculares do tumor.
Este texto explica, em linguagem simples, o que é o glioma, como ele é classificado hoje e como costuma ser o tratamento.
O que é um glioma?
O cérebro tem dois grandes grupos de células: os neurônios, que transmitem as informações, e as células da glia, que dão suporte, nutrição e proteção aos neurônios. O glioma é um tumor que nasce dessas células de suporte.
Muitos gliomas são chamados de difusos. Isso significa que suas células se espalham pelo tecido cerebral ao redor, sem um limite nítido. É por essa característica que, mesmo após uma boa cirurgia, o tratamento costuma continuar com outras etapas.
Na maioria das pessoas, não se sabe a causa do glioma. A exposição prévia à radiação na cabeça e algumas síndromes genéticas raras aumentam o risco, mas não explicam a maior parte dos casos.
Como a OMS classifica os gliomas hoje?
A classificação da Organização Mundial da Saúde de 2021 mudou a forma de dar nome aos gliomas. Hoje, o diagnóstico junta o que o patologista vê no microscópio com testes moleculares feitos no tumor. Os graus passaram a ser escritos com números de 1 a 4 e são atribuídos dentro de cada tipo.
Nos adultos, os gliomas difusos foram reunidos em três tipos principais:
- Astrocitoma, IDH-mutante: pode ser de grau 2, 3 ou 4.
- Oligodendroglioma, IDH-mutante e com codeleção 1p/19q: pode ser de grau 2 ou 3.
- Glioblastoma, IDH-selvagem: é sempre de grau 4.
Existem também gliomas mais delimitados, como o astrocitoma pilocítico, mais comum em crianças e jovens, e tipos próprios da infância, com tratamento diferente.
Termos antigos, como astrocitoma anaplásico ou glioblastoma multiforme, ainda aparecem em laudos e textos mais velhos. A nova classificação deixou de usá-los. Se o seu laudo tem dúvidas desse tipo, vale ler como saber se um tumor cerebral é benigno ou maligno.
Quais são os sintomas do glioma?
Os sintomas dependem do local e da velocidade de crescimento. Os mais comuns são:
- convulsões, que muitas vezes são o primeiro sinal;
- dor de cabeça que piora com o tempo;
- fraqueza ou alteração da sensibilidade em um lado do corpo;
- dificuldade para falar ou entender;
- mudanças de comportamento, de memória ou de atenção.
Uma descrição mais completa está em sintomas de tumor cerebral.
Se você tem dúvidas sobre glioma, é possível agendar uma avaliação para entender o que se aplica ao seu caso.
Agendar pelo WhatsAppComo é feito o diagnóstico?
A diretriz europeia de neuro-oncologia (EANO) considera a ressonância magnética com contraste o exame de referência para detectar o glioma. Sequências especiais, como perfusão e espectroscopia, podem ajudar a planejar a cirurgia ou a biópsia.
A confirmação, porém, depende da análise do tecido. Por isso, a cirurgia costuma ter duas funções ao mesmo tempo: retirar o tumor e obter material para o diagnóstico. Quando a retirada não é segura, faz-se uma biópsia, assunto do artigo quando é preciso fazer biópsia de um tumor cerebral.
Como é o tratamento do glioma?
O tratamento é planejado por uma equipe multidisciplinar, com neurocirurgião, oncologista clínico, radio-oncologista, patologista e radiologista. A página de tumor cerebral e tumor de coluna mostra como essas especialidades se organizam ao longo do cuidado. De modo geral, o tratamento segue estas etapas:
- Cirurgia: o objetivo é retirar a maior quantidade possível de tumor sem prejudicar funções importantes, como movimento e fala. Recursos como neuronavegação, monitorização neurológica durante a operação e, em casos selecionados, a cirurgia com o paciente acordado ajudam nesse equilíbrio.
- Análise do tumor: o patologista define o tipo, o grau e os marcadores moleculares. Alguns deles, como a metilação do gene MGMT no glioblastoma, ajudam a prever a resposta à quimioterapia.
- Radioterapia e quimioterapia: são indicadas conforme o tipo, o grau, a idade e as condições de saúde. A temozolomida é o quimioterápico mais usado nos gliomas, e outros esquemas existem para tipos específicos.
- Acompanhamento: ressonâncias regulares avaliam a resposta e mostram cedo se o tumor volta a crescer.
Em gliomas de grau mais baixo, retirados por completo e sem sintomas além de convulsões controladas, a diretriz europeia admite, em casos selecionados, acompanhar com ressonância antes de indicar radioterapia ou quimioterapia. Essa escolha depende muito do tipo molecular e da avaliação de cada caso.
Novas terapias, incluindo medicamentos dirigidos a alterações específicas do tumor, vêm sendo estudadas e, em algumas situações, já fazem parte das opções. A equipe de oncologia é quem avalia se alguma delas se aplica.
Como fica a vida durante e depois do tratamento?
O tratamento do glioma é uma caminhada longa, e cuidar da qualidade de vida faz parte dele. Fisioterapia, fonoaudiologia, apoio psicológico e controle das convulsões ajudam a manter a autonomia. Sentimentos como medo e tristeza são comuns e merecem atenção, como explica o artigo depressão depois de cirurgia ou doença neurológica.
Quem mora em Ribeirão Preto e região pode fazer as consultas de acompanhamento perto de casa, alinhadas com a oncologia e a radioterapia. Os detalhes dos primeiros dias após a operação estão em recuperação da cirurgia de tumor cerebral.
Quando procurar atendimento
Procure uma consulta se você teve convulsão, mesmo que já esteja controlada, se tem dor de cabeça progressiva ou alterações persistentes da fala, da memória, da força ou do comportamento.
Vá ao pronto-socorro ou ligue 192 em caso de primeira convulsão, convulsão que não para, perda súbita de força ou da fala, confusão de início rápido ou dor de cabeça intensa com vômitos. Quem já está em tratamento deve avisar a equipe sobre febre, piora neurológica ou sonolência fora do comum.
Se você tem esses sintomas, uma avaliação com neurocirurgião ajuda a entender a causa e as opções de tratamento.
Perguntas frequentes
Glioma de baixo grau precisa de tratamento?
Na maioria das vezes, sim, mas o momento e a forma variam. Depois da cirurgia, alguns pacientes podem ser apenas acompanhados com ressonância, enquanto outros recebem radioterapia e quimioterapia. A decisão leva em conta o tipo molecular, a idade, os sintomas e o quanto do tumor foi retirado.
O que significa IDH no laudo?
IDH é um gene. Saber se ele está alterado (IDH-mutante) ou não (IDH-selvagem) ajuda a definir o tipo de glioma na classificação da OMS e a planejar o tratamento. Por isso esse resultado é tão importante no laudo da patologia.
Glioma dá convulsão?
Sim, convulsão é um sintoma frequente, principalmente nos gliomas de crescimento mais lento. Quando isso acontece, o médico costuma prescrever remédio anticonvulsivante. A primeira convulsão sempre pede atendimento de urgência.
O glioma pode voltar depois do tratamento?
Pode, porque os gliomas difusos se infiltram no tecido ao redor e nem sempre é possível retirar todas as células. Por isso o acompanhamento com ressonância é regular, e a equipe define novos tratamentos caso o tumor volte a crescer.
Fontes consultadas
- Weller M e colaboradores. EANO guidelines on the diagnosis and treatment of diffuse gliomas of adulthood. Nature Reviews Clinical Oncology, 2021 (abrir fonte)
- Louis DN e colaboradores. The 2021 WHO Classification of Tumors of the Central Nervous System: a summary. Neuro-Oncology, 2021 (abrir fonte)
- National Cancer Institute: Adult Central Nervous System Tumors Treatment (PDQ), versão para pacientes (abrir fonte)
Conteúdo revisado por Dr. Guilherme Veloso Gomes (CRM-SP 287794 · CRM-MG 82200) em 07/10/2026. Texto educativo, que não substitui a consulta médica, não serve para autodiagnóstico e não representa promessa de resultado. Cada caso depende de avaliação clínica, exame físico e, quando indicado, exames complementares. Em caso de sintomas súbitos ou intensos, procure o pronto-socorro ou ligue 192 (SAMU).