Tumor cerebral e tumor de coluna

Qual é a diferença entre radioterapia e radiocirurgia no tumor cerebral?

Publicado em · Por Dr. Guilherme Veloso Gomes

Resposta direta: As duas usam radiação, sem cortes. A radioterapia fracionada divide a dose em várias sessões ao longo de semanas e trata áreas maiores. A radiocirurgia concentra uma dose alta, com grande precisão, em lesões pequenas, em uma a cinco sessões. A escolha depende do tipo, do tamanho, do número e da localização dos tumores.

Quando o tratamento de um tumor cerebral inclui radiação, duas palavras costumam aparecer na conversa: radioterapia e radiocirurgia. Elas parecem sinônimos, mas são formas diferentes de usar a radiação. Entender essa diferença ajuda a acompanhar o raciocínio da equipe e a fazer as perguntas certas.

Como a radiação age no tumor?

A radiação usada no tratamento do câncer e de outros tumores danifica o material genético das células. As células tumorais têm mais dificuldade de reparar esse dano e acabam morrendo ou parando de se multiplicar. Segundo o Instituto Nacional do Câncer dos Estados Unidos, esse efeito não é imediato: costuma levar dias ou semanas para começar e pode continuar por meses depois do fim do tratamento.

As células normais que estão perto do tumor também recebem parte da radiação. Por isso, todo o planejamento busca concentrar a dose no alvo e poupar o tecido saudável ao redor.

Tanto a radioterapia quanto a radiocirurgia são aplicadas de fora do corpo, por um aparelho, sem cortes. A pessoa não sente a radiação durante a sessão.

O que é a radioterapia fracionada?

Na radioterapia fracionada, a dose total é dividida em várias sessões pequenas, geralmente em dias úteis, ao longo de algumas semanas. Essa divisão dá tempo para o tecido normal se recuperar entre as sessões.

Ela costuma ser indicada em situações como:

  • depois da cirurgia de gliomas, para tratar células que ficaram no tecido ao redor;
  • em tumores maiores ou com limites pouco definidos;
  • em meningiomas de grau 2 ou 3, ou retirados de forma incompleta;
  • na radioterapia do cérebro todo, usada quando há muitas metástases.

Em vários tipos de glioma, a radioterapia é feita junto com a quimioterapia, em um plano definido pela oncologia.

O que é a radiocirurgia?

Apesar do nome, a radiocirurgia não é uma cirurgia. A enciclopédia MedlinePlus explica que não há corte nem pontos: trata-se de uma radioterapia de altíssima precisão, que concentra uma dose alta em uma área pequena. Muitos feixes de radiação, vindos de direções diferentes, se encontram no tumor. Cada feixe isolado é fraco, mas no ponto de encontro a dose é alta.

Como funciona, em linhas gerais:

  1. a cabeça é imobilizada com uma máscara feita sob medida ou com um arco fixado ao crânio, com anestesia local;
  2. são feitos exames de imagem, como ressonância e tomografia, para localizar o alvo com precisão;
  3. a equipe de radioterapia e de física médica faz o planejamento no computador;
  4. a aplicação é feita com a pessoa deitada, acordada e sem dor, em geral de uma a cinco sessões.

Muitas vezes, a pessoa volta para casa no mesmo dia.

Se você tem dúvidas sobre radioterapia e radiocirurgia, é possível agendar uma avaliação para entender o que se aplica ao seu caso.

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Quando cada uma costuma ser indicada?

A radiocirurgia costuma ser considerada para lesões pequenas e bem delimitadas, como:

  • poucas metástases cerebrais pequenas;
  • a cavidade que fica depois da retirada de uma metástase;
  • meningiomas pequenos, em geral de até 3 centímetros, como alternativa à cirurgia em casos selecionados, segundo a diretriz europeia;
  • o schwannoma vestibular e alguns tumores da hipófise.

A radioterapia fracionada é preferida quando a área a tratar é maior, quando o tumor tem limites pouco nítidos ou quando está muito perto de estruturas sensíveis, como o nervo óptico e o tronco cerebral, que toleram melhor doses divididas.

Às vezes, as duas técnicas são usadas na mesma pessoa, em momentos diferentes. Uma metástase pequena pode ser tratada com radiocirurgia e, anos depois, novas lesões podem pedir outra estratégia. Em outros casos, a radioterapia fracionada é aplicada em menos sessões, com doses um pouco maiores, em um meio-termo entre as duas abordagens.

Essas são tendências gerais, não regras. O tipo de tumor, o tamanho, o número de lesões, a localização, os sintomas e a saúde geral pesam na escolha.

Quais são os efeitos colaterais?

Os efeitos dependem da dose, da área tratada e da técnica. Alguns são mais comuns:

  • cansaço, que pode durar semanas;
  • queda de cabelo na área irradiada;
  • irritação ou vermelhidão da pele;
  • dor de cabeça e náuseas, muitas vezes ligadas ao inchaço do cérebro;
  • dificuldade de memória e concentração, principalmente na radioterapia do cérebro todo.

Na radiocirurgia, a MedlinePlus descreve que pode surgir inchaço no local tratado, às vezes meses depois. Na maioria das vezes ele melhora, com ou sem remédio. Raramente, é preciso internar ou operar para tratá-lo. A equipe acompanha esses efeitos com consultas e ressonâncias.

Quem decide o tipo de tratamento?

A radiação é uma das ferramentas do tratamento dos tumores do sistema nervoso, como mostra a página de tumor cerebral e tumor de coluna. Ela raramente é decidida de forma isolada.

A decisão é tomada em equipe. O radio-oncologista, médico da radioterapia, define a técnica, a dose e o número de sessões. O neurocirurgião avalia se a cirurgia é necessária antes, depois ou no lugar da radiação. O oncologista clínico coordena os medicamentos, quando indicados.

Em Ribeirão Preto, o neurocirurgião pode acompanhar o paciente durante todo o tratamento com radiação, em contato com o serviço que fará a aplicação. Se ainda há dúvida sobre a necessidade de confirmar o diagnóstico antes de irradiar, veja quando é preciso fazer biópsia de um tumor cerebral.

Quando procurar atendimento

Durante ou depois da radioterapia, avise a equipe se surgirem dor de cabeça que piora, vômitos, sonolência fora do comum, nova fraqueza ou alteração da fala. Esses sinais podem indicar inchaço e precisam de avaliação.

Procure o pronto-socorro ou ligue 192 em caso de convulsão, confusão de início rápido, perda súbita de força ou da fala, ou dor de cabeça muito intensa e repentina.

Se você tem esses sintomas, uma avaliação com neurocirurgião ajuda a entender a causa e as opções de tratamento.

Perguntas frequentes

Radiocirurgia tem corte?

Não. Apesar do nome, a radiocirurgia não é uma operação. Não há corte nem pontos. É uma forma de radioterapia de alta precisão, planejada com exames de imagem e feita com a cabeça imobilizada por máscara ou por um arco fixado ao crânio.

A radioterapia no cérebro faz o cabelo cair?

Pode haver queda de cabelo na área que recebe a radiação, em geral temporária, mas às vezes duradoura. Na radiocirurgia, como a área tratada é pequena, a queda costuma ser limitada. A equipe de radioterapia explica o que esperar em cada caso.

Quanto tempo dura cada sessão?

Na radioterapia fracionada, cada sessão costuma ser rápida, e o tratamento se estende por algumas semanas. Na radiocirurgia, a preparação e o planejamento levam algumas horas, e a aplicação pode durar de minutos a cerca de duas horas, conforme o caso.

A radioterapia substitui a cirurgia?

Em alguns casos, sim, como em metástases pequenas ou meningiomas pequenos em locais de risco. Em outros, ela complementa a cirurgia, tratando o que restou do tumor. Muitas vezes, a cirurgia é necessária antes para confirmar o diagnóstico e aliviar a compressão.

Fontes consultadas

  • MedlinePlus: Stereotactic radiosurgery (abrir fonte)
  • National Cancer Institute: Radiation Therapy for Cancer (abrir fonte)
  • MedlinePlus: Metastatic brain tumor (abrir fonte)
  • Goldbrunner R e colaboradores. EANO guideline on the diagnosis and management of meningiomas. Neuro-Oncology, 2021 (abrir fonte)

Conteúdo revisado por Dr. Guilherme Veloso Gomes (CRM-SP 287794 · CRM-MG 82200) em 07/10/2026. Texto educativo, que não substitui a consulta médica, não serve para autodiagnóstico e não representa promessa de resultado. Cada caso depende de avaliação clínica, exame físico e, quando indicado, exames complementares. Em caso de sintomas súbitos ou intensos, procure o pronto-socorro ou ligue 192 (SAMU).

Dr. Guilherme Veloso Gomes
Autoria e revisão médica Dr. Guilherme Veloso Gomes

Médico neurocirurgião. CRM-SP 287794 · CRM-MG 82200. Neurocirurgia: RQE-SP 151861, Neurocirurgia: RQE-MG 71371. Neurocirurgião em Ribeirão Preto, com residência em Neurocirurgia nos hospitais Felício Rocho e João XXIII, em Belo Horizonte (MG). Ver perfil completo

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