Resposta direta: Schwannoma vestibular, também chamado de neurinoma do acústico, é um tumor benigno e de crescimento lento no nervo que liga o ouvido interno ao cérebro. Costuma causar perda de audição e zumbido de um lado. As opções incluem acompanhar com ressonância, radiocirurgia ou cirurgia, conforme o tamanho, o crescimento e os sintomas.
Perder a audição de um ouvido só, aos poucos, com um zumbido que não passa, é um sintoma que merece investigação. Na maioria das vezes, a causa está no próprio ouvido. Em uma parte dos casos, porém, os exames mostram um schwannoma vestibular, um tumor benigno que fica no caminho entre o ouvido e o cérebro.
O que é o schwannoma vestibular?
É um tumor benigno que nasce das células de Schwann, que formam o revestimento do nervo vestibulococlear. Esse nervo leva ao cérebro as informações da audição e do equilíbrio.
O tumor costuma começar dentro do canal auditivo interno, um túnel ósseo na base do crânio, e pode crescer para dentro do crânio, numa região chamada ângulo pontocerebelar. Ali ficam também o nervo facial, que movimenta o rosto, o nervo trigêmeo, que dá sensibilidade à face, e o tronco cerebral.
Na maioria das pessoas, o crescimento é lento. Alguns tumores ficam do mesmo tamanho por anos, e outros crescem de forma mais rápida. Por isso, a observação ao longo do tempo é parte importante da decisão.
Na maior parte dos casos, ele aparece sem causa conhecida e de um lado só. Não é um tumor que passa de pai para filho, com exceção dos casos ligados à neurofibromatose tipo 2, que costumam aparecer dos dois lados e em pessoas mais jovens.
Quais são os sintomas?
Os sintomas mais comuns são:
- perda de audição de um lado, que costuma piorar aos poucos;
- zumbido no ouvido afetado;
- desequilíbrio ou sensação de instabilidade;
- sensação de ouvido cheio.
Em parte das pessoas, a perda auditiva aparece de forma súbita. Quando o tumor fica maior, pode haver dormência no rosto, alteração do paladar, fraqueza do rosto, que é menos comum, e, em tumores grandes, dor de cabeça e alterações de marcha por acúmulo de líquor, a hidrocefalia.
A tontura tem muitas causas, a maioria fora do cérebro. O artigo sobre se a tontura pode ser problema neurológico ajuda a entender quando investigar.
Como é feito o diagnóstico?
O caminho mais comum é este:
- Consulta com história dos sintomas e exame dos nervos do rosto, da audição e do equilíbrio.
- Audiometria, que mostra a perda auditiva de um lado e ajuda a acompanhar a audição ao longo do tempo.
- Ressonância magnética com contraste, que é o exame que confirma o tumor e mede o tamanho.
Muitas vezes a investigação começa com o otorrinolaringologista, que pede a ressonância diante de uma perda auditiva assimétrica. Daí em diante, o cuidado costuma ser compartilhado entre otorrinolaringologia e neurocirurgia.
Se você tem dúvidas sobre schwannoma vestibular, é possível agendar uma avaliação para entender o que se aplica ao seu caso.
Agendar pelo WhatsAppQuais são as opções de tratamento?
A diretriz do Congress of Neurological Surgeons, publicada em 2018, reconhece três caminhos principais. A escolha depende do tamanho do tumor, da velocidade de crescimento, da audição que ainda existe, da idade, da saúde geral e da preferência informada da pessoa.
- Acompanhamento com ressonância: muito usado em tumores pequenos, com poucos sintomas. A ressonância é repetida em intervalos definidos pela equipe, e o tratamento ativo é considerado se houver crescimento ou piora dos sintomas.
- Radiocirurgia estereotáxica: é uma forma de radiação muito concentrada, aplicada em geral numa única sessão ou em poucas sessões, sem corte. O objetivo é parar o crescimento do tumor, não retirá-lo. Costuma ser opção para tumores pequenos e médios. Entenda a diferença entre radioterapia e radiocirurgia.
- Cirurgia (microcirurgia): retira o tumor por uma abertura no crânio, geralmente atrás da orelha. É mais considerada em tumores grandes, que comprimem o tronco cerebral, ou quando há crescimento apesar de outros tratamentos.
Na cirurgia, existem diferentes acessos. Alguns tentam preservar a audição e outros são usados quando ela já foi perdida. Durante a operação, o nervo facial costuma ser monitorado. Às vezes, para proteger os nervos, a equipe opta por retirar a maior parte do tumor e acompanhar ou irradiar o que restou.
Em vários casos, mais de uma opção é razoável. Por isso, a decisão costuma ser tomada em conversa entre paciente, neurocirurgião e otorrinolaringologista, pesando riscos e benefícios.
Quais são os riscos do tratamento?
Todos os caminhos têm riscos, e eles mudam com o tamanho do tumor:
- perda da audição que ainda existia, no lado operado ou irradiado;
- fraqueza do rosto, temporária ou duradoura, por lesão do nervo facial;
- desequilíbrio nas primeiras semanas, que costuma melhorar com reabilitação;
- vazamento de líquor e infecção, depois da cirurgia;
- inchaço transitório do tumor e, mais raramente, hidrocefalia, depois da radiocirurgia.
A conversa sobre esses riscos faz parte da consulta. Leia também sobre os riscos de uma cirurgia no cérebro.
Como é o acompanhamento?
Seja qual for o caminho, o acompanhamento costuma durar muitos anos, com ressonâncias e audiometrias periódicas. Quem tem desequilíbrio pode se beneficiar de fisioterapia vestibular. Quem perdeu a audição de um lado pode ser avaliado para aparelhos ou outros recursos de reabilitação auditiva.
Quando procurar atendimento
Procure avaliação se você tem perda de audição de um lado, zumbido persistente num ouvido só, desequilíbrio frequente ou dormência no rosto.
A perda auditiva súbita deve ser avaliada com urgência pelo otorrinolaringologista, de preferência nos primeiros dias, seja qual for a causa.
Procure um pronto-socorro ou ligue 192 se houver:
- dor de cabeça forte com vômitos e sonolência;
- fraqueza súbita do rosto, de um braço ou de uma perna;
- dificuldade súbita para falar ou para andar.
Em Ribeirão Preto, a consulta permite revisar a ressonância e a audiometria e discutir as opções junto com o otorrinolaringologista. Saiba mais sobre a cirurgia de base de crânio.
Se você tem esses sintomas, uma avaliação com neurocirurgião ajuda a entender a causa e as opções de tratamento.
Perguntas frequentes
Por que ele também é chamado de neurinoma do acústico?
É um nome antigo. O tumor nasce das células de Schwann, que revestem o nervo, e quase sempre na parte do nervo ligada ao equilíbrio, chamada vestibular. Por isso, schwannoma vestibular é o nome considerado mais correto hoje.
O schwannoma vestibular é câncer?
Não. É um tumor benigno, que não se espalha pelo corpo. Ele pode causar sintomas porque cresce num espaço estreito, perto de nervos e do tronco cerebral.
Ele pode aparecer nos dois ouvidos?
Na maioria das pessoas aparece de um lado só. Quando aparece dos dois lados, costuma estar ligado a uma condição genética chamada neurofibromatose tipo 2, que tem acompanhamento próprio.
A audição volta depois do tratamento?
Em geral, o tratamento busca controlar o tumor e preservar a audição que ainda existe, mas a audição perdida costuma não voltar. Para quem já tem perda importante, existem recursos de reabilitação auditiva, avaliados pelo otorrinolaringologista.
Fontes consultadas
- Vestibular Schwannoma (Acoustic Neuroma) and Neurofibromatosis (NIDCD) (abrir fonte)
- Acoustic neuroma (vestibular schwannoma) (NHS) (abrir fonte)
- Congress of Neurological Surgeons guidelines on the treatment of adults with vestibular schwannomas: executive summary (Neurosurgery, 2018) (abrir fonte)
Conteúdo revisado por Dr. Guilherme Veloso Gomes (CRM-SP 287794 · CRM-MG 82200) em 07/10/2026. Texto educativo, que não substitui a consulta médica, não serve para autodiagnóstico e não representa promessa de resultado. Cada caso depende de avaliação clínica, exame físico e, quando indicado, exames complementares. Em caso de sintomas súbitos ou intensos, procure o pronto-socorro ou ligue 192 (SAMU).