Doenças neurológicas

Tontura pode ser problema neurológico?

Publicado em · Por Dr. Guilherme Veloso Gomes

Resposta direta: Pode, mas na maior parte das vezes a tontura tem outra origem, como o ouvido interno, queda de pressão, desidratação ou efeito de remédios. Causas neurológicas incluem AVC, enxaqueca vestibular, esclerose múltipla e tumores. Tontura súbita com fala enrolada, fraqueza, visão dupla ou dificuldade para andar é emergência.

A tontura é uma das queixas mais comuns em consultórios e prontos-socorros. Ela assusta, atrapalha a rotina e muitas vezes deixa a pessoa com medo de que seja algo grave no cérebro. A boa notícia é que, na maior parte dos casos, a causa não é neurológica.

Ainda assim, algumas tonturas têm origem no sistema nervoso, e parte delas exige atendimento imediato. Saber reconhecer os sinais de alerta é o mais importante.

Que tipos de tontura existem?

A palavra tontura é usada para sensações diferentes. Separar essas sensações ajuda o médico a pensar nas causas:

  • Vertigem: sensação de que a pessoa ou o ambiente estão girando. Costuma vir do ouvido interno, mas também pode vir do cérebro.
  • Sensação de desmaio ou cabeça leve: parece que a pessoa vai apagar. Costuma estar ligada a queda da pressão ou a menos sangue chegando ao cérebro.
  • Desequilíbrio: dificuldade para ficar de pé ou andar firme, sem sensação de giro.
  • Tontura mal definida: sensação de cabeça "aérea" ou flutuante, muitas vezes associada a ansiedade.

Quais são as causas mais comuns que não são neurológicas?

O MedlinePlus explica que a sensação de cabeça leve acontece quando o cérebro recebe menos sangue por um momento. Isso pode ocorrer com:

  • Queda da pressão ao levantar rápido, mais comum em pessoas mais velhas.
  • Desidratação por vômitos, diarreia, febre ou pouca ingestão de água.
  • Efeito de remédios, principalmente os que baixam a pressão.
  • Hipoglicemia, gripe, resfriado ou alergias.
  • Problemas no coração, como arritmias, que pedem avaliação urgente quando vêm com dor no peito ou coração acelerado.

Já entre as causas de vertigem, as mais frequentes estão no ouvido interno:

  • Vertigem posicional paroxística benigna: crises curtas de giro ao virar a cabeça, deitar ou levantar.
  • Neurite vestibular e labirintite: inflamação do nervo ou do ouvido interno, com vertigem intensa que dura dias.
  • Doença de Ménière: crises de vertigem com zumbido, sensação de ouvido tampado e perda de audição.

Quando a tontura pode ser neurológica?

O MedlinePlus cita entre as causas de tontura o AVC, a esclerose múltipla, as crises epilépticas, os tumores cerebrais e os sangramentos no cérebro. Outras causas neurológicas incluem:

  • AVC ou isquemia na parte de trás do cérebro, que irriga o cerebelo e o tronco cerebral. A tontura pode ser o sintoma principal e vir junto com visão dupla, fala enrolada, dificuldade para engolir, fraqueza ou falta de coordenação.
  • Enxaqueca vestibular: crises de vertigem em pessoas com enxaqueca, com ou sem dor de cabeça na mesma hora.
  • Tumores que afetam o nervo do equilíbrio, como o schwannoma vestibular, que costuma causar perda de audição de um lado e zumbido antes da tontura.
  • Doenças que afetam a marcha, como a hidrocefalia de pressão normal, que causa desequilíbrio progressivo, perda de controle da urina e alterações de memória.
  • Doenças da medula ou dos nervos, que causam desequilíbrio por perda de sensibilidade nos pés.

O NINDS, instituto de neurologia dos Estados Unidos, inclui a tontura súbita, a perda de equilíbrio e a falta de coordenação entre os sinais de AVC.

Se você tem dúvidas sobre tontura, é possível agendar uma avaliação para entender o que se aplica ao seu caso.

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Como é feita a investigação?

A investigação começa pela história. O médico pergunta como é a tontura, quanto tempo dura, o que desencadeia e quais sintomas vêm junto. Depois, faz o exame físico e neurológico, que pode incluir:

  1. Medida da pressão deitado e em pé.
  2. Avaliação dos movimentos dos olhos.
  3. Testes de coordenação e de marcha.
  4. Manobras de posição da cabeça, usadas para diagnosticar a vertigem posicional.
  5. Avaliação da audição.

Conforme o caso, podem ser pedidos exames de sangue, eletrocardiograma, exames do ouvido interno e ressonância magnética do crânio. A ressonância não é necessária para todos: ela é indicada quando há sinais neurológicos, perda de audição de um lado ou quando a história sugere causa no cérebro.

O tratamento depende da causa. A vertigem posicional, por exemplo, costuma melhorar com manobras feitas no consultório. Outras causas podem exigir ajuste de remédios, reabilitação vestibular ou tratamento da doença de base.

O que fazer durante uma crise de tontura?

Algumas medidas simples, citadas pelo MedlinePlus, ajudam a evitar quedas e a não piorar os sintomas enquanto a causa é investigada:

  • Sentar ou deitar assim que a tontura começar e ficar parado até ela melhorar.
  • Levantar devagar, passando antes alguns instantes sentado, principalmente ao sair da cama.
  • Evitar movimentos bruscos da cabeça e mudanças rápidas de posição.
  • Ter algo firme para se apoiar ao ficar de pé.
  • Não dirigir, não operar máquinas e não subir em escadas ou lugares altos até uma semana depois de os sintomas passarem.
  • Beber água ao longo do dia, se não houver restrição médica.

Essas medidas não substituem a avaliação. Elas apenas reduzem o risco de acidentes até que o diagnóstico seja feito.

Ansiedade pode causar tontura?

Pode. A ansiedade e as crises de pânico podem causar tontura, sensação de cabeça leve, formigamento e falta de ar. Também é comum que pessoas com tontura de outra causa fiquem ansiosas, o que piora os sintomas.

Mesmo assim, a ansiedade só deve ser considerada a causa depois de afastar outras possibilidades. Leia mais sobre ansiedade, formigamento e tontura.

Quando procurar atendimento

Procure o pronto-socorro ou ligue 192 se a tontura vier de repente e junto com:

  • Fraqueza ou dormência de um lado do corpo.
  • Fala enrolada, boca torta ou dificuldade para engolir.
  • Visão dupla ou perda de visão.
  • Dificuldade para andar ou para ficar de pé sem apoio.
  • Dor de cabeça súbita e muito forte, ou rigidez no pescoço com febre.
  • Dor no peito, coração acelerado, falta de ar ou desmaio.
  • Batida na cabeça ou convulsão.

O NHS também orienta procurar atendimento quando a tontura não passa, volta com frequência ou atrapalha a rotina.

Agende uma consulta se a tontura se repete, se há perda de audição de um lado, zumbido persistente ou desequilíbrio que piora com o tempo. Em Ribeirão Preto, a avaliação pode começar com o clínico, o otorrinolaringologista ou o neurologista, e o neurocirurgião participa quando há suspeita de lesão que possa ter indicação de procedimento. Saiba mais na página de doenças neurológicas.

Se você tem esses sintomas, uma avaliação com neurocirurgião ajuda a entender a causa e as opções de tratamento.

Perguntas frequentes

Qual é a diferença entre tontura e vertigem?

Tontura é um termo amplo, que inclui sensação de desmaio, cabeça leve e desequilíbrio. Vertigem é um tipo de tontura em que a pessoa sente que ela ou o ambiente estão girando. Essa diferença ajuda o médico a pensar nas causas.

Labirintite é a mesma coisa que tontura?

Não. Labirintite é uma inflamação do ouvido interno, geralmente depois de uma infecção viral, e é uma das causas de vertigem. No dia a dia, muita gente chama qualquer tontura de labirintite, mas existem várias outras causas.

Tontura pode ser sinal de tumor no cérebro?

É possível, mas é incomum. Tumores que afetam o equilíbrio costumam vir com outros sinais, como perda de audição de um lado, zumbido, dor de cabeça progressiva ou alterações no exame neurológico. A avaliação médica ajuda a decidir se um exame de imagem é necessário.

Qual médico procurar para tontura?

Muitas vezes o primeiro atendimento é com o clínico geral ou o otorrinolaringologista. Quando há sinais neurológicos ou a causa não fica clara, o neurologista e, em alguns casos, o neurocirurgião participam da investigação.

Fontes consultadas

Conteúdo revisado por Dr. Guilherme Veloso Gomes (CRM-SP 287794 · CRM-MG 82200) em 07/10/2026. Texto educativo, que não substitui a consulta médica, não serve para autodiagnóstico e não representa promessa de resultado. Cada caso depende de avaliação clínica, exame físico e, quando indicado, exames complementares. Em caso de sintomas súbitos ou intensos, procure o pronto-socorro ou ligue 192 (SAMU).

Dr. Guilherme Veloso Gomes
Autoria e revisão médica Dr. Guilherme Veloso Gomes

Médico neurocirurgião. CRM-SP 287794 · CRM-MG 82200. Neurocirurgia: RQE-SP 151861, Neurocirurgia: RQE-MG 71371. Neurocirurgião em Ribeirão Preto, com residência em Neurocirurgia nos hospitais Felício Rocho e João XXIII, em Belo Horizonte (MG). Ver perfil completo

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