Dor de cabeça e cefaleia

O que é neuralgia do trigêmeo e como tratar?

Publicado em · Por Dr. Guilherme Veloso Gomes

Resposta direta: A neuralgia do trigêmeo é uma dor forte no rosto, em choques que duram de uma fração de segundo a 2 minutos, de um lado só, provocada por toques leves, como falar, mastigar ou escovar os dentes. O tratamento começa com remédios. Quando eles não funcionam ou não são tolerados, existem procedimentos neurocirúrgicos.

A neuralgia do trigêmeo é uma das dores mais intensas que existem no rosto. Ela aparece em crises curtas, como choques elétricos, que podem ser provocadas por gestos simples do dia a dia.

Muita gente passa por vários profissionais antes do diagnóstico, porque a dor pode lembrar um problema de dente. Entender como ela funciona ajuda a buscar o tratamento certo.

O que é o nervo trigêmeo?

O trigêmeo é um nervo craniano, ou seja, sai diretamente do cérebro. Existe um de cada lado do rosto, e cada um tem três ramos:

  • o ramo de cima, que leva sensibilidade para a testa, parte do couro cabeludo e ao redor do olho;
  • o ramo do meio, para a bochecha, a gengiva e os dentes de cima, o lábio superior e a lateral do nariz;
  • o ramo de baixo, para a mandíbula, os dentes e a gengiva de baixo e o lábio inferior.

Segundo o NHS, serviço de saúde do Reino Unido, a dor costuma ser sentida na parte de baixo do rosto, como mandíbula, dentes e gengiva.

Como é a dor da neuralgia do trigêmeo?

A Classificação Internacional das Cefaleias (ICHD-3) descreve a neuralgia do trigêmeo como crises de dor:

  • de um lado só do rosto, no território de um ou mais ramos do trigêmeo;
  • que duram de uma fração de segundo até 2 minutos;
  • de intensidade forte;
  • em choque elétrico, pontada ou fisgada;
  • provocadas por estímulos leves na área afetada.

Os gatilhos mais comuns, segundo o MedlinePlus, da Biblioteca Nacional de Medicina dos Estados Unidos, são falar, sorrir, escovar os dentes, mastigar, comer, beber, tocar o rosto, barbear, passar maquiagem, sentir vento ou mudanças de temperatura. As crises podem se repetir muitas vezes ao dia e depois sumir por um tempo.

Em algumas pessoas, há também uma dor contínua, em queimação ou latejante, entre as crises. Pela ICHD-3, a dor pode ficar mais intensa e as crises mais longas com o tempo. O NHS informa que o problema é mais comum em mulheres e costuma começar entre os 50 e os 60 anos, sendo raro antes dos 40.

O que causa a neuralgia do trigêmeo?

A ICHD-3 divide a neuralgia em três grupos, conforme a causa:

  1. Clássica: um vaso sanguíneo encosta e pressiona a raiz do nervo dentro do crânio. Segundo o NHS, essa compressão por um vaso próximo é a causa mais comum.
  2. Secundária: causada por outra doença, como esclerose múltipla ou tumor. O MedlinePlus lembra que, quando a neuralgia aparece antes dos 40 anos, essas causas são mais frequentes.
  3. Idiopática: quando nenhuma causa é encontrada mesmo após a investigação.

Por isso, mesmo quando a história é típica, a investigação é importante.

Se você tem dúvidas sobre neuralgia do trigêmeo, é possível agendar uma avaliação para entender o que se aplica ao seu caso.

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Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico começa pela história da dor e pelo exame neurológico, que avalia a sensibilidade do rosto, a força da mastigação e os outros nervos da face.

A ressonância magnética do crânio faz parte da investigação. Ela ajuda a procurar a compressão do nervo por um vaso e a afastar causas secundárias, como esclerose múltipla ou tumor. Os exames usados na investigação da dor da cabeça e do rosto estão em quais exames investigam a dor de cabeça.

Outras dores do rosto podem confundir, como a dor de dente, a dor da articulação da mandíbula, a cefaleia em salvas e a neuralgia pós-herpética. Veja o que é cefaleia em salvas e o que é neuralgia pós-herpética.

Quais são as opções de tratamento?

Remédios. O tratamento costuma começar com remédios. O NHS informa que um anticonvulsivante, remédio também usado na epilepsia, é em geral a primeira opção, porque reduz a transmissão dos sinais de dor pelo nervo. O MedlinePlus cita ainda relaxantes musculares e alguns antidepressivos. Analgésicos comuns em geral não ajudam nessa dor. A escolha do remédio e da dose é sempre feita pelo médico, com acompanhamento dos efeitos colaterais. Não comece nem pare remédios por conta própria.

Procedimentos neurocirúrgicos. Quando os remédios não aliviam a dor ou causam efeitos colaterais que a pessoa não tolera, a cirurgia pode ser considerada. O NHS e o MedlinePlus descrevem:

  • Descompressão microvascular: cirurgia com abertura do crânio que afasta o vaso que comprime o nervo e coloca um pequeno material macio entre eles. Segundo o NHS, é a operação com resultados mais duradouros, mas é uma cirurgia de grande porte, com risco de complicações como perda de audição, dormência no rosto e, muito raramente, AVC.
  • Procedimentos sobre o nervo: lesam de forma controlada parte das fibras do nervo para bloquear a dor, como a radiofrequência, a injeção de glicerol e a compressão por balão. São menos invasivos e, segundo o NHS, costumam aliviar a dor por alguns anos.
  • Radiocirurgia: energia de radiação focada na raiz do nervo, sem corte.

O MedlinePlus cita também o bloqueio anestésico do nervo como opção para aliviar a dor rapidamente enquanto os remédios começam a agir. Quando a causa é um tumor, o tratamento é voltado para ele.

A escolha depende do tipo de dor, da saúde geral, da presença de esclerose múltipla, do ramo afetado e da preferência da pessoa. Todos os procedimentos têm riscos, que são discutidos em detalhes antes da decisão, e a dor pode voltar com o tempo. Procedimentos de tratamento da dor também são abordados na página de tratamento da dor.

Quando procurar atendimento

Marque uma consulta se você tem crises de dor em choque no rosto, de um lado só, provocadas por falar, comer, escovar os dentes ou tocar a pele. Também procure o médico se o remédio deixou de funcionar, se os efeitos colaterais estão atrapalhando ou se a dor ficou contínua. Em Ribeirão Preto, a avaliação com neurocirurgião permite revisar o diagnóstico, os exames e as opções de tratamento.

Procure o pronto-socorro ou ligue 192 se a dor no rosto vier com fraqueza ou dormência de um lado do corpo, rosto caído, fala enrolada, perda de visão, confusão ou dor de cabeça súbita e muito forte.

A avaliação da dor de cabeça e do rosto está descrita na página de dor de cabeça e cefaleia.

Se você tem esses sintomas, uma avaliação com neurocirurgião ajuda a entender a causa e as opções de tratamento.

Perguntas frequentes

Neuralgia do trigêmeo é problema de dente?

Não, embora seja comum a pessoa procurar primeiro o dentista, porque a dor pode atingir a gengiva, os dentes e a mandíbula. A neuralgia é um problema do nervo trigêmeo, e o diagnóstico é feito pela história e pelo exame neurológico.

A neuralgia do trigêmeo some sozinha?

A dor pode melhorar ou sumir por meses ou anos, o que se chama remissão. Segundo o NHS, porém, esses períodos sem dor tendem a ficar mais curtos com o tempo, e a condição costuma ser de longo prazo.

Analgésicos comuns ajudam na neuralgia do trigêmeo?

Em geral, não. O NHS orienta procurar o médico justamente quando a dor no rosto não melhora com analgésicos comuns. O tratamento usa remédios de outras classes, sempre com prescrição e acompanhamento médico.

A dor pode voltar depois da cirurgia?

Pode. Segundo o NHS, os procedimentos que lesam o nervo costumam aliviar a dor por alguns anos, e a dor pode voltar. A chance e o tempo de alívio variam conforme o tipo de procedimento e a causa da neuralgia.

Fontes consultadas

Conteúdo revisado por Dr. Guilherme Veloso Gomes (CRM-SP 287794 · CRM-MG 82200) em 07/10/2026. Texto educativo, que não substitui a consulta médica, não serve para autodiagnóstico e não representa promessa de resultado. Cada caso depende de avaliação clínica, exame físico e, quando indicado, exames complementares. Em caso de sintomas súbitos ou intensos, procure o pronto-socorro ou ligue 192 (SAMU).

Dr. Guilherme Veloso Gomes
Autoria e revisão médica Dr. Guilherme Veloso Gomes

Médico neurocirurgião. CRM-SP 287794 · CRM-MG 82200. Neurocirurgia: RQE-SP 151861, Neurocirurgia: RQE-MG 71371. Neurocirurgião em Ribeirão Preto, com residência em Neurocirurgia nos hospitais Felício Rocho e João XXIII, em Belo Horizonte (MG). Ver perfil completo

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