Dor de cabeça e cefaleia

Qual é a diferença entre enxaqueca e cefaleia tensional?

Publicado em · Por Dr. Guilherme Veloso Gomes

Resposta direta: A enxaqueca costuma ser latejante, moderada a forte, muitas vezes de um lado só, piora com esforço e vem com náusea ou incômodo com luz e barulho. A cefaleia tensional costuma ser em aperto ou pressão, dos dois lados, leve a moderada, e não piora com atividades do dia a dia.

Enxaqueca e cefaleia tensional são as dores de cabeça mais comuns. As duas são cefaleias primárias, ou seja, a dor é a própria condição, e não sintoma de outra doença.

Apesar disso, elas têm comportamentos diferentes e tratamentos que nem sempre são os mesmos. Saber diferenciar ajuda a conversar com o médico e a escolher o caminho certo.

Como é a dor da enxaqueca?

A enxaqueca é uma doença neurológica de crises que se repetem ao longo da vida. Segundo a Classificação Internacional das Cefaleias (ICHD-3), a crise dura de 4 a 72 horas em adultos, quando não tratada.

A dor costuma ter pelo menos duas destas características:

  • localização em um lado da cabeça, embora possa ser dos dois lados;
  • caráter latejante ou pulsátil;
  • intensidade moderada ou forte;
  • piora com atividade física comum, como subir escada, ou faz a pessoa evitar essas atividades.

Além da dor, a crise vem com náusea, vômitos ou incômodo com luz e barulho. Muitas pessoas precisam se deitar em um quarto escuro e silencioso.

Parte das pessoas com enxaqueca tem aura em algumas crises. A aura são sintomas neurológicos reversíveis, como luzes piscando, pontos, linhas em zigue-zague, falhas na visão, formigamento ou dificuldade para falar. Ela se forma aos poucos, em pelo menos 5 minutos, e dura de 5 a 60 minutos.

Como é a dor da cefaleia tensional?

A cefaleia tensional é muito comum: segundo a ICHD-3, entre 30% e 78% das pessoas têm esse tipo de dor em algum momento da vida. A crise pode durar de 30 minutos a 7 dias, e a dor costuma ter pelo menos duas destas características:

  • localização dos dois lados da cabeça;
  • sensação de pressão ou aperto, como uma faixa em volta da cabeça, e não latejante;
  • intensidade leve ou moderada;
  • não piora com atividades do dia a dia, como caminhar ou subir escada.

Na cefaleia tensional, náusea não faz parte do quadro. Pode haver incômodo leve com luz ou com barulho, mas não os dois juntos. Muitas pessoas conseguem trabalhar mesmo com a dor, o que é uma diferença prática em relação à enxaqueca.

Quais são as principais diferenças, lado a lado?

Um resumo baseado na diretriz britânica do NICE, que segue a ICHD-3:

  1. Tipo de dor: latejante na enxaqueca; em pressão ou aperto na tensional.
  2. Lugar: um lado ou os dois na enxaqueca; em geral os dois lados na tensional.
  3. Intensidade: moderada a forte na enxaqueca; leve a moderada na tensional.
  4. Atividade física: piora a enxaqueca; não piora a tensional.
  5. Sintomas associados: náusea, vômitos e incômodo com luz e som na enxaqueca; em geral nenhum na tensional.
  6. Duração em adultos: 4 a 72 horas na enxaqueca; de 30 minutos até dias na tensional.

Na prática, nem sempre a crise se encaixa perfeitamente em um dos lados. Por isso o diagnóstico é clínico, feito na conversa e no exame, e às vezes depende de acompanhar algumas crises.

Se você tem dúvidas sobre enxaqueca e cefaleia tensional, é possível agendar uma avaliação para entender o que se aplica ao seu caso.

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O que é enxaqueca crônica e cefaleia tensional crônica?

As duas condições podem ser episódicas ou crônicas. A forma episódica acontece em menos de 15 dias por mês.

A cefaleia tensional crônica acontece em 15 dias ou mais por mês, por mais de 3 meses. A enxaqueca crônica é definida como dor de cabeça em 15 dias ou mais por mês, por mais de 3 meses, com pelo menos 8 desses dias com características de enxaqueca.

Nas formas crônicas, as duas se misturam. A diretriz do NICE orienta: se houver características de enxaqueca, o diagnóstico é de enxaqueca crônica. Um fator que costuma estar por trás da piora é o uso frequente de analgésicos, explicado em remédio para dor de cabeça todo dia pode piorar a dor.

O que desencadeia cada tipo de dor?

Os gatilhos variam de pessoa para pessoa. A Biblioteca Virtual em Saúde do Ministério da Saúde cita, para a enxaqueca, estresse e ansiedade, ficar muito tempo sem comer, dormir mal, alterações hormonais do ciclo menstrual, excesso de cafeína, falta de exercício e uso excessivo de analgésicos.

Na cefaleia tensional, estresse, tensão muscular no pescoço e nos ombros, postura e sono ruim são queixas comuns. A relação entre emoções e dor é discutida em ansiedade pode causar dor de cabeça.

Um diário de dor por algumas semanas ajuda a encontrar esses padrões. Anote os dias de dor, a duração, a intensidade, os remédios usados e o que aconteceu antes da crise.

Como é o tratamento de cada uma?

O tratamento tem duas frentes: aliviar a crise e reduzir a frequência das crises. A escolha dos remédios é sempre individual, levando em conta outras doenças, gravidez, idade e preferências. Não use remédio por conta própria em muitos dias do mês.

Na enxaqueca, além do tratamento da crise, existe o tratamento preventivo para quem tem crises frequentes ou incapacitantes, explicado em como funciona o tratamento preventivo da enxaqueca. Na cefaleia tensional crônica, mudanças de hábito, atividade física, fisioterapia e, em alguns casos, remédios preventivos e acupuntura são opções citadas pela diretriz do NICE.

Quando há dúvida se a dor é mesmo primária, o médico avalia se há sinais de causa estrutural. O papel do neurocirurgião nessa avaliação está na página de dor de cabeça e cefaleia.

Quando procurar atendimento

Marque uma consulta se as crises estão mais frequentes, se você usa analgésico em muitos dias do mês, se a dor atrapalha trabalho e sono ou se o padrão mudou.

Procure o pronto-socorro ou ligue 192 se a dor for súbita e muito forte, ou vier com fraqueza, fala enrolada, confusão, convulsão, perda de visão, febre com nuca rígida ou depois de pancada na cabeça. Também é importante avaliar com urgência uma aura que vem com fraqueza de um lado do corpo, visão dupla ou perda de visão em um olho só, porque esses sintomas não são típicos de aura.

Em Ribeirão Preto, a consulta permite rever o diagnóstico, afastar sinais de alerta e, quando for o caso, organizar o acompanhamento em conjunto com o neurologista. Veja também quando é preciso se preocupar com a dor de cabeça.

Se você tem esses sintomas, uma avaliação com neurocirurgião ajuda a entender a causa e as opções de tratamento.

Perguntas frequentes

Uma pessoa pode ter enxaqueca e cefaleia tensional ao mesmo tempo?

Sim. É comum a mesma pessoa ter os dois tipos em dias diferentes. Na forma crônica, as duas se sobrepõem bastante, e a diretriz do NICE orienta considerar enxaqueca crônica quando há características de enxaqueca.

O que é aura na enxaqueca?

Aura é um conjunto de sintomas neurológicos reversíveis, como luzes piscando, pontos ou linhas na visão, formigamento ou dificuldade para falar. Ela se instala aos poucos, em pelo menos 5 minutos, e dura de 5 a 60 minutos, em geral antes da dor.

Estresse causa cefaleia tensional?

O estresse é um gatilho frequente da cefaleia tensional e também da enxaqueca. Sono ruim, longos períodos sem comer e tensão muscular no pescoço também costumam contribuir.

Enxaqueca é hereditária?

A enxaqueca tem forte componente genético e é comum haver outros casos na família. Isso não significa que todos os filhos terão a doença, mas ajuda o médico no diagnóstico.

Fontes consultadas

Conteúdo revisado por Dr. Guilherme Veloso Gomes (CRM-SP 287794 · CRM-MG 82200) em 07/10/2026. Texto educativo, que não substitui a consulta médica, não serve para autodiagnóstico e não representa promessa de resultado. Cada caso depende de avaliação clínica, exame físico e, quando indicado, exames complementares. Em caso de sintomas súbitos ou intensos, procure o pronto-socorro ou ligue 192 (SAMU).

Dr. Guilherme Veloso Gomes
Autoria e revisão médica Dr. Guilherme Veloso Gomes

Médico neurocirurgião. CRM-SP 287794 · CRM-MG 82200. Neurocirurgia: RQE-SP 151861, Neurocirurgia: RQE-MG 71371. Neurocirurgião em Ribeirão Preto, com residência em Neurocirurgia nos hospitais Felício Rocho e João XXIII, em Belo Horizonte (MG). Ver perfil completo

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