Dor de cabeça e cefaleia

Como funciona o tratamento preventivo da enxaqueca?

Publicado em · Por Dr. Guilherme Veloso Gomes

Resposta direta: O tratamento preventivo da enxaqueca busca diminuir a frequência, a duração e a intensidade das crises. Ele é considerado quando as crises são frequentes ou atrapalham a vida, e pode combinar mudanças de hábito, remédios de uso contínuo e, em casos selecionados, outras terapias. A escolha é individual e reavaliada em alguns meses.

Quem tem enxaqueca conhece bem a rotina: a crise chega, a pessoa toma um remédio, espera passar e torce para a próxima demorar. Para muita gente, isso basta. Para outras pessoas, as crises são tão frequentes ou fortes que tomar remédio só na hora da dor não resolve o problema.

É aí que entra o tratamento preventivo. Este texto explica para que ele serve, quando é considerado e quais são as opções descritas nas diretrizes.

O que é o tratamento preventivo da enxaqueca?

O tratamento da enxaqueca tem duas frentes. O tratamento da crise é usado quando a dor começa, para aliviá-la. O tratamento preventivo é feito de forma contínua, mesmo nos dias sem dor, para que as crises fiquem mais raras, mais curtas e mais fracas.

O preventivo não substitui o remédio da crise. Os dois costumam andar juntos. A ideia é que, com menos crises, a pessoa precise menos do remédio de alívio, o que também reduz o risco de dor de cabeça por excesso de medicação.

A Organização Mundial da Saúde lembra que muitas pessoas com enxaqueca nunca recebem diagnóstico e tratamento adequados. Saber que a prevenção existe já é um passo importante.

Quando o tratamento preventivo é considerado?

Não existe uma regra fixa que valha para todos. A diretriz britânica do NICE orienta discutir os benefícios e os riscos da prevenção levando em conta a preferência da pessoa, outras doenças, os efeitos colaterais possíveis e o impacto da dor na qualidade de vida.

Na prática, o preventivo costuma ser discutido quando:

  • as crises são frequentes, em vários dias por mês;
  • as crises são longas ou muito incapacitantes, mesmo que não sejam tão frequentes;
  • o remédio da crise não funciona bem, não é tolerado ou não pode ser usado;
  • a pessoa está usando analgésico em muitos dias do mês;
  • há enxaqueca crônica, com dor em 15 dias ou mais por mês.

Se você toma remédio para dor de cabeça na maioria dos dias, vale ler remédio para dor de cabeça todo dia pode piorar a dor, porque esse quadro muda a forma de tratar.

Quais são as opções de prevenção?

As opções variam conforme o tipo de enxaqueca, a frequência das crises, a idade, outras doenças e a fase da vida. A escolha do remédio, da dose e do tempo de uso é sempre feita pelo médico, em consulta. Não comece nem pare remédios por conta própria.

Mudanças de hábito. São a base de qualquer plano. A OMS cita sono regular, atividade física, alimentação saudável, boa hidratação, moderação no álcool e um calendário da dor para identificar gatilhos. Para algumas pessoas, isso já reduz bastante as crises.

Remédios de uso contínuo. O MedlinePlus, da Biblioteca Nacional de Medicina dos Estados Unidos, descreve várias classes usadas na prevenção, como alguns remédios para pressão (betabloqueadores e bloqueadores de canal de cálcio, entre outros), alguns anticonvulsivantes e alguns antidepressivos. Muitos deles também são usados para outras doenças, em doses diferentes.

Tratamentos que agem no CGRP. O CGRP é uma substância envolvida na dor da enxaqueca. Existem anticorpos injetáveis e comprimidos que bloqueiam essa via. A diretriz do NICE indica essas opções em adultos com pelo menos 4 dias de enxaqueca por mês, em geral depois que outros preventivos não funcionaram ou não foram tolerados.

Toxina botulínica. Aplicada por injeção nos músculos, é uma opção para adultos com enxaqueca crônica, segundo a diretriz do NICE, quando outros preventivos não funcionaram ou não foram tolerados.

Acupuntura. O NICE cita um curso de sessões de acupuntura como alternativa em alguns casos.

Se você tem dúvidas sobre prevenção da enxaqueca, é possível agendar uma avaliação para entender o que se aplica ao seu caso.

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Como é o acompanhamento?

O preventivo precisa de tempo e de medida. Um passo a passo comum:

  1. Antes de começar, a pessoa registra por algumas semanas os dias de dor e os remédios usados.
  2. O médico escolhe uma opção considerando benefícios, riscos e preferências.
  3. A pessoa continua o diário durante o tratamento.
  4. Nos retornos, compara-se o número de dias de dor e a intensidade das crises com o período anterior.
  5. Se a primeira opção não funciona ou causa efeitos colaterais, discute-se uma segunda.
  6. A diretriz do NICE recomenda reavaliar a necessidade de continuar a prevenção de 3 a 6 meses depois do início.

Esse acompanhamento evita manter um remédio que não está ajudando e também evita parar cedo demais um tratamento que estava funcionando.

Qual é o papel do neurocirurgião?

O tratamento preventivo da enxaqueca é conduzido, muitas vezes, pelo neurologista. O neurocirurgião entra quando há dúvida sobre a causa da dor, quando a dor mudou de padrão ou quando existem sinais que sugerem uma causa estrutural, como hidrocefalia, malformação de Chiari ou tumor.

Nesses casos, a avaliação busca confirmar se a dor é mesmo uma enxaqueca ou se há outra causa a tratar. Quando o diagnóstico é de cefaleia primária, o plano pode seguir com acompanhamento integrado ao neurologista. A diferença entre as duas especialidades está em neurologista ou neurocirurgião, e a forma de avaliação está na página de dor de cabeça e cefaleia.

Para entender se sua dor é enxaqueca, veja também qual é a diferença entre enxaqueca e cefaleia tensional.

Quando procurar atendimento

Marque uma consulta se as crises estão mais frequentes, se o remédio da crise deixou de funcionar, se você precisa de analgésico em muitos dias do mês ou se a enxaqueca está atrapalhando trabalho, estudo ou sono. Em Ribeirão Preto, a avaliação em consultório ajuda a definir se é hora de pensar em prevenção.

Procure o pronto-socorro ou ligue 192 se a dor for súbita e muito forte, diferente de todas as anteriores, ou vier com fraqueza de um lado do corpo, fala enrolada, perda de visão, convulsão, confusão ou febre com nuca rígida. Esses sinais não fazem parte da enxaqueca típica. Mais detalhes em quando é preciso se preocupar com a dor de cabeça.

Se você tem esses sintomas, uma avaliação com neurocirurgião ajuda a entender a causa e as opções de tratamento.

Perguntas frequentes

O tratamento preventivo acaba com a enxaqueca?

O objetivo é reduzir a frequência e a força das crises, e não fazer a enxaqueca desaparecer para sempre. Muitas pessoas continuam tendo algumas crises, mas com menos impacto na rotina.

Quanto tempo leva para o preventivo fazer efeito?

Em geral, o efeito aparece aos poucos, ao longo de semanas. A diretriz do NICE recomenda reavaliar a necessidade de continuar o tratamento de 3 a 6 meses depois do início.

Grávidas podem fazer tratamento preventivo?

Alguns remédios preventivos não devem ser usados na gravidez ou por mulheres que podem engravidar sem contracepção adequada. Quem está grávida ou planeja engravidar deve conversar com o médico antes de qualquer tratamento.

Toxina botulínica serve para qualquer enxaqueca?

Não. As diretrizes indicam a toxina botulínica para a enxaqueca crônica, com dor em 15 dias ou mais por mês, em geral depois que outros preventivos não funcionaram ou não foram tolerados. A indicação depende da avaliação.

Fontes consultadas

  • NICE CG150: Headaches in over 12s, diagnosis and management (recomendações) (abrir fonte)
  • MedlinePlus: Migraine (abrir fonte)
  • Organização Mundial da Saúde: Migraine and other headache disorders (abrir fonte)

Conteúdo revisado por Dr. Guilherme Veloso Gomes (CRM-SP 287794 · CRM-MG 82200) em 07/10/2026. Texto educativo, que não substitui a consulta médica, não serve para autodiagnóstico e não representa promessa de resultado. Cada caso depende de avaliação clínica, exame físico e, quando indicado, exames complementares. Em caso de sintomas súbitos ou intensos, procure o pronto-socorro ou ligue 192 (SAMU).

Dr. Guilherme Veloso Gomes
Autoria e revisão médica Dr. Guilherme Veloso Gomes

Médico neurocirurgião. CRM-SP 287794 · CRM-MG 82200. Neurocirurgia: RQE-SP 151861, Neurocirurgia: RQE-MG 71371. Neurocirurgião em Ribeirão Preto, com residência em Neurocirurgia nos hospitais Felício Rocho e João XXIII, em Belo Horizonte (MG). Ver perfil completo

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