Cirurgia de coluna

Fratura na coluna sempre precisa de cirurgia?

Publicado em · Por Dr. Guilherme Veloso Gomes

Resposta direta: Não. Muitas fraturas da coluna, principalmente as por osteoporose e as estáveis, são tratadas sem cirurgia, com remédios para dor, colete em alguns casos e reabilitação. A cirurgia é considerada quando a fratura é instável, comprime a medula ou os nervos, causa deformidade importante ou a dor não melhora com o tratamento.

A palavra "fratura" associada à coluna costuma assustar. Muitas pessoas imaginam, logo de cara, cirurgia e risco de paralisia. Na realidade, as fraturas da coluna formam um grupo bem variado. Muitas são tratadas sem operação, e a decisão depende de detalhes que só o exame e as imagens mostram.

Quais são os tipos mais comuns de fratura na coluna?

Do ponto de vista prático, dá para separar as fraturas em dois grandes grupos:

  • Fraturas por fragilidade do osso: a mais comum é a fratura por compressão causada pela osteoporose. Segundo a StatPearls, ela é a fratura osteoporótica mais frequente. A vértebra "achata" na parte da frente e ganha forma de cunha. Pode acontecer com um esforço pequeno, como levantar uma sacola ou tossir.
  • Fraturas por trauma: acontecem em acidentes de trânsito, quedas de altura, acidentes esportivos e de trabalho. A transição entre a coluna torácica e a lombar, entre as vértebras T10 e L2, é a região mais atingida, segundo a StatPearls, porque é onde uma parte rígida da coluna encontra uma parte mais móvel.

Existem ainda as fraturas causadas por tumores que enfraquecem a vértebra, como metástases e mieloma múltiplo. Saiba mais em sintomas de tumor na coluna.

Quais são os sintomas de uma fratura na coluna?

O sintoma principal é a dor nas costas, que costuma ser forte, piora com o movimento e melhora um pouco em repouso. A MedlinePlus descreve a dor da fratura por compressão aguda como intensa, "em pontada", e que pode durar semanas a meses.

Outros sinais possíveis:

  • perda de altura ao longo do tempo;
  • postura mais curvada para a frente;
  • dor que surge depois de esforço pequeno em quem tem osteoporose;
  • raramente, dormência, formigamento, fraqueza ou alteração da urina e das fezes, quando há compressão de nervos ou da medula.

Algumas fraturas por osteoporose passam despercebidas e só são descobertas em uma radiografia feita por outro motivo.

Como o médico decide o tratamento?

A pergunta central não é só "tem fratura?", mas "a fratura é estável e os nervos estão protegidos?". Para responder, o médico combina:

  1. A história: como a dor começou, se houve trauma e de que tipo.
  2. O exame físico e o exame neurológico, que avaliam força, sensibilidade e reflexos.
  3. A radiografia, que mostra o formato da vértebra.
  4. A tomografia, que detalha o osso e ajuda a ver fragmentos.
  5. A ressonância, que mostra ligamentos, medula e nervos e ajuda a saber se a fratura é recente.
  6. A densitometria óssea, quando se suspeita de osteoporose.

Fraturas que atingem só a parte da frente da vértebra, sem lesão de ligamentos e sem compressão de nervo, tendem a ser estáveis. Fraturas que envolvem também a parte de trás da vértebra e os ligamentos podem ser instáveis.

Se você tem dúvidas sobre fratura na coluna, é possível agendar uma avaliação para entender o que se aplica ao seu caso.

Agendar pelo WhatsApp

Como é o tratamento sem cirurgia?

A StatPearls descreve o tratamento sem cirurgia como a abordagem principal nas fraturas por compressão. Ele costuma incluir:

  • remédios para dor, prescritos pelo médico;
  • repouso relativo nos primeiros dias, sem ficar muito tempo deitado;
  • colete em alguns casos, por tempo definido;
  • fisioterapia e retorno gradual às atividades;
  • tratamento da osteoporose, quando ela está presente.

A MedlinePlus informa que fraturas por lesão costumam se consolidar em 8 a 10 semanas com esse tipo de tratamento. Já nas fraturas por osteoporose, a dor pode se prolongar, e os remédios para osteoporose ajudam a prevenir novas fraturas, mas não revertem as que já aconteceram.

Quando a fratura na coluna precisa de cirurgia?

Segundo a StatPearls, a cirurgia é necessária nas fraturas instáveis, nas que comprimem nervos ou a medula e nas que causam deformidade importante. Na prática, isso inclui:

  • fraturas com perda de força, dormência ou alteração da urina e das fezes;
  • fraturas instáveis, com risco de piorar com o movimento;
  • deformidade que tende a progredir;
  • dor intensa que não melhora com o tratamento adequado.

As opções variam. Em fraturas por compressão com dor persistente, a MedlinePlus cita a vertebroplastia e a cifoplastia, que injetam cimento na vértebra, para dor intensa que não melhora depois de cerca de 2 meses. Em fraturas instáveis, pode ser necessária a fixação com parafusos e hastes, a artrodese da coluna, com ou sem descompressão dos nervos. Em parte dos casos, a fixação pode ser feita por técnicas minimamente invasivas. A escolha é sempre individual e avaliada pelo cirurgião.

O que fazer logo depois de um acidente?

Depois de um trauma importante, como acidente de carro, moto ou queda de altura, a regra é proteger a coluna até a avaliação médica. A StatPearls lembra que lesões nessa região podem causar déficit neurológico permanente e exigem avaliação imediata.

  • Ligue 192 (SAMU).
  • Não movimente a pessoa, a menos que haja risco imediato, como fogo.
  • Não tente sentar a pessoa nem tirar o capacete de um motociclista.
  • Mantenha a pessoa calma e aquecida até a chegada do socorro.

Quando procurar atendimento

Procure avaliação médica se você tem mais de 50 anos ou osteoporose e sentiu uma dor forte e repentina nas costas, mesmo sem queda. Também vale avaliação se a dor nas costas depois de um trauma leve não melhora em poucos dias. Em Ribeirão Preto, a consulta com neurocirurgião permite revisar os exames e definir se o tratamento pode ser feito sem cirurgia.

Vá ao pronto-socorro ou ligue 192 diante de:

  • qualquer trauma de alta energia com dor na coluna;
  • fraqueza, dormência ou formigamento em braços ou pernas;
  • perda de controle da urina ou das fezes;
  • dor nas costas com febre ou em quem tem histórico de câncer.

Para conhecer outros sinais que pedem atenção, veja sinais de alerta na dor nas costas. Se você tem esses sintomas, uma avaliação com neurocirurgião ajuda a entender a causa e as opções de tratamento. Veja também a página de cirurgia de coluna.

Perguntas frequentes

Como saber se uma fratura na coluna é estável?

A estabilidade é avaliada pelo médico com base no exame e nos exames de imagem, como radiografia, tomografia e ressonância. Ele observa quanto a vértebra perdeu de altura, se partes de trás da vértebra e os ligamentos foram atingidos e se há compressão de nervos.

Quanto tempo leva para uma fratura na coluna consolidar?

Segundo a MedlinePlus, as fraturas por compressão causadas por lesão costumam se consolidar em 8 a 10 semanas com tratamento sem cirurgia. As fraturas por osteoporose podem deixar dor por mais tempo. Fraturas mais graves seguem prazos próprios.

Uma fratura por osteoporose aumenta o risco de outras fraturas?

Sim. A revisão da StatPearls explica que uma fratura vertebral aumenta bastante o risco de novas fraturas na coluna e em outros ossos. Por isso, além de tratar a dor, é importante investigar e tratar a osteoporose.

O que são vertebroplastia e cifoplastia?

São procedimentos em que um cimento ósseo é injetado na vértebra fraturada, por uma agulha, para estabilizá-la. A MedlinePlus cita essas opções para dor intensa que não melhora após cerca de 2 meses de tratamento. A indicação é avaliada caso a caso.

Fontes consultadas

  • StatPearls: Vertebral Compression Fractures (Donnally, Margetis e Varacallo, 2025) (abrir fonte)
  • StatPearls: Thoracolumbar Spine Fracture (Fernández-de Thomas e De Jesus, 2023) (abrir fonte)
  • MedlinePlus: Compression fractures of the back (abrir fonte)

Conteúdo revisado por Dr. Guilherme Veloso Gomes (CRM-SP 287794 · CRM-MG 82200) em 07/10/2026. Texto educativo, que não substitui a consulta médica, não serve para autodiagnóstico e não representa promessa de resultado. Cada caso depende de avaliação clínica, exame físico e, quando indicado, exames complementares. Em caso de sintomas súbitos ou intensos, procure o pronto-socorro ou ligue 192 (SAMU).

Dr. Guilherme Veloso Gomes
Autoria e revisão médica Dr. Guilherme Veloso Gomes

Médico neurocirurgião. CRM-SP 287794 · CRM-MG 82200. Neurocirurgia: RQE-SP 151861, Neurocirurgia: RQE-MG 71371. Neurocirurgião em Ribeirão Preto, com residência em Neurocirurgia nos hospitais Felício Rocho e João XXIII, em Belo Horizonte (MG). Ver perfil completo

Tratamento relacionado

Saiba mais sobre cirurgia de coluna

Ver a página do tratamento

Próximo passo

Tem sintomas parecidos ou recebeu um exame com esse achado?

Envie uma mensagem pelo WhatsApp para agendar uma avaliação. A equipe orienta sobre datas, locais e o que levar na consulta.

Agendar pelo WhatsApp