Cirurgia de coluna

O que é artrodese da coluna e quando ela é indicada?

Publicado em · Por Dr. Guilherme Veloso Gomes

Resposta direta: Artrodese da coluna é a cirurgia que une duas ou mais vértebras para que deixem de se mover entre si. Ela pode ser indicada em fraturas, deformidades, instabilidade e alguns casos de espondilolistese e estenose. Não é tratamento para toda dor nas costas, e a indicação depende da avaliação de cada caso.

Quando o médico fala em "fixar a coluna", muita gente imagina uma coluna inteira travada por metal. Na prática, a artrodese costuma envolver um ou poucos segmentos e tem um objetivo bem definido: dar estabilidade onde ela faltou. Entender a lógica da cirurgia ajuda a conversar com o médico sobre a real necessidade dela no seu caso.

O que é artrodese da coluna?

Artrodese, ou fusão vertebral, é a cirurgia que faz duas ou mais vértebras se unirem de forma permanente, formando um bloco único de osso. Com isso, aquele segmento deixa de se mover.

Para chegar a essa união, o cirurgião prepara as superfícies ósseas e coloca enxerto ósseo entre elas. Em geral, parafusos, hastes, placas ou espaçadores mantêm as vértebras paradas enquanto o osso se consolida, o que leva meses.

Muitas vezes, a artrodese é feita junto com uma descompressão, que libera os nervos apertados. A descompressão trata a compressão; a artrodese trata a instabilidade.

Segundo a MedlinePlus, o enxerto pode vir do próprio paciente, geralmente da bacia, de um banco de ossos ou de substitutos artificiais. Cada opção tem vantagens e limitações, e a escolha faz parte do planejamento da cirurgia.

Um ponto que ajuda a entender o processo: o metal não é o que "segura" a coluna para sempre. Ele mantém tudo no lugar por alguns meses, até que o próprio osso faça a ponte entre as vértebras. Por isso os cuidados com a cicatrização, como não fumar, têm tanto peso no resultado.

Quando a artrodese da coluna é indicada?

A MedlinePlus lista as situações em que a fusão costuma ser usada, em geral junto com outro procedimento:

  • fraturas das vértebras que deixam a coluna instável;
  • curvaturas anormais, como escoliose e cifose;
  • espondilolistese, quando há escorregamento com instabilidade ou compressão importante;
  • estenose do canal lombar em casos selecionados, sobretudo quando a descompressão necessária pode desestabilizar o segmento;
  • coluna fraca ou instável por infecção ou tumor;
  • depois da retirada de um disco no pescoço, a discectomia cervical.

A artrodese serve para qualquer dor nas costas?

Não. A dor lombar comum, sem instabilidade e sem compressão de nervo, costuma ser tratada sem cirurgia. A própria MedlinePlus alerta que a cirurgia nem sempre melhora a dor e que quem tinha dor crônica antes provavelmente ainda terá alguma dor depois.

Mesmo em condições como a espondilolistese, há debate sobre quando a fusão deve ser somada à descompressão. No estudo SPORT, por exemplo, os pacientes foram tratados com laminectomia com ou sem fusão, conforme o caso. O NHS também lista as duas opções. Por isso a decisão é feita caso a caso, considerando os exames dinâmicos, os sintomas, a idade e a saúde geral. Para quem tem dor nas costas de longa duração, vale conhecer também o tratamento da lombalgia crônica.

Se você tem dúvidas sobre artrodese da coluna, é possível agendar uma avaliação para entender o que se aplica ao seu caso.

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Como a cirurgia é feita?

O acesso à coluna pode ser por trás, pela frente ou pela lateral, conforme a região e o problema. As etapas mais comuns são:

  1. Anestesia geral e posicionamento do paciente.
  2. Acesso à coluna, por um corte maior ou por pequenos cortes, conforme a técnica.
  3. Descompressão dos nervos, quando necessária.
  4. Preparo das superfícies ósseas e colocação do enxerto.
  5. Fixação com parafusos e hastes ou com espaçador entre as vértebras.
  6. Fechamento e início da recuperação.

Parte dessas cirurgias pode ser feita com técnicas minimamente invasivas, que usam cortes menores e afastam menos os músculos. Nem todo caso é adequado para isso, e a escolha da técnica é avaliada em consulta.

Quais são os riscos da artrodese?

Além dos riscos de qualquer cirurgia e da anestesia, a MedlinePlus cita:

  • infecção na ferida ou nos ossos da coluna;
  • lesão de nervo, com fraqueza, dor ou perda de sensibilidade;
  • desgaste das vértebras acima e abaixo da fusão ao longo dos anos, que pode trazer novos problemas.

Também pode acontecer de o osso não se consolidar como esperado, situação que às vezes exige nova cirurgia. A maioria das pessoas não tem complicações graves, mas esses riscos fazem parte da conversa antes da decisão. Veja um panorama completo em riscos da cirurgia de coluna.

Como é a recuperação depois da artrodese?

Segundo a MedlinePlus, a internação costuma durar até 3 ou 4 dias. Antes da alta, a equipe ensina a se movimentar protegendo a coluna, por exemplo a virar na cama em bloco, e em alguns casos é usado colete.

Nas primeiras semanas, a orientação é caminhar todos os dias, evitar ficar muito tempo sentado e não carregar peso. A MedlinePlus descreve que pessoas mais jovens e saudáveis, com trabalho leve, podem precisar de 4 a 6 semanas de afastamento, enquanto pessoas mais velhas podem precisar de 4 a 6 meses. Perder peso, se for o caso, e manter exercício regular aumentam as chances de se sentir bem depois. A fisioterapia costuma fazer parte do processo.

Quando procurar atendimento

Converse com um neurocirurgião se você recebeu a indicação de artrodese e quer entender se ela é necessária, quais são as alternativas e o que esperar. Também vale avaliação quando há dor nas pernas, formigamento ou fraqueza que não melhoram com o tratamento.

Depois de uma artrodese, procure a equipe com urgência ou ligue 192 se houver:

  • febre, calafrios ou secreção amarelada ou esverdeada na ferida;
  • perda de força ou de sensibilidade nas pernas;
  • perda de controle da urina ou das fezes;
  • dor no peito, falta de ar ou dor e inchaço na panturrilha.

Em Ribeirão Preto, a consulta permite revisar os exames com calma e discutir cada opção. Se você tem esses sintomas, uma avaliação com neurocirurgião ajuda a entender a causa e as opções de tratamento. Veja também a página de cirurgia de coluna.

Perguntas frequentes

A coluna fica dura depois da artrodese?

O segmento fixado deixa de se mover, mas o restante da coluna continua se movimentando. Quando a fusão envolve poucos níveis, muitas pessoas quase não percebem diferença nos movimentos do dia a dia. Fusões mais extensas limitam mais o movimento.

Os parafusos precisam ser retirados depois?

Na maioria dos casos, não. O material serve para manter as vértebras paradas enquanto o osso se consolida e costuma ficar no corpo. A retirada é considerada só em situações específicas, como incômodo local ou complicação.

A artrodese pode causar problema nas vértebras vizinhas?

Pode. A MedlinePlus cita que as vértebras acima e abaixo da fusão ficam mais sujeitas a desgaste ao longo do tempo. Esse é um dos motivos para indicar a fixação só quando ela é necessária e no menor número de níveis possível.

Fumar atrapalha a artrodese?

Sim. O tabaco reduz a chegada de oxigênio aos tecidos e prejudica a cicatrização, segundo a MedlinePlus. Parar de fumar semanas antes da cirurgia é uma das orientações mais importantes do preparo.

Fontes consultadas

  • MedlinePlus: Spinal fusion (abrir fonte)
  • Weinstein JN et al. Surgical versus nonsurgical treatment for lumbar degenerative spondylolisthesis. N Engl J Med, 2007 (estudo SPORT) (abrir fonte)
  • NHS: Spondylolisthesis (abrir fonte)
  • MedlinePlus: Spine surgery, discharge (abrir fonte)

Conteúdo revisado por Dr. Guilherme Veloso Gomes (CRM-SP 287794 · CRM-MG 82200) em 07/10/2026. Texto educativo, que não substitui a consulta médica, não serve para autodiagnóstico e não representa promessa de resultado. Cada caso depende de avaliação clínica, exame físico e, quando indicado, exames complementares. Em caso de sintomas súbitos ou intensos, procure o pronto-socorro ou ligue 192 (SAMU).

Dr. Guilherme Veloso Gomes
Autoria e revisão médica Dr. Guilherme Veloso Gomes

Médico neurocirurgião. CRM-SP 287794 · CRM-MG 82200. Neurocirurgia: RQE-SP 151861, Neurocirurgia: RQE-MG 71371. Neurocirurgião em Ribeirão Preto, com residência em Neurocirurgia nos hospitais Felício Rocho e João XXIII, em Belo Horizonte (MG). Ver perfil completo

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