Resposta direta: Espondilolistese é o deslizamento de uma vértebra sobre a de baixo, mais comum na parte lombar da coluna. Pode não causar nada ou provocar dor lombar e dor nas pernas. O tratamento começa com fisioterapia, ajuste de atividades e remédios, e a cirurgia é reservada a quem não melhora ou tem compressão de nervos.
O nome assusta, mas a ideia é simples: na espondilolistese, uma vértebra escorrega para a frente em relação à vértebra de baixo. Muitas pessoas descobrem o problema por acaso, em uma radiografia feita por outro motivo. Outras convivem com dor lombar e dor nas pernas que atrapalham o dia a dia.
O que é espondilolistese?
A palavra vem do grego: "spondylos" quer dizer vértebra, e "olisthesis", escorregamento. A StatPearls explica que o deslizamento pode acontecer para a frente, para trás ou para o lado, mas o tipo que mais importa na prática é o escorregamento para a frente na coluna lombar, sobretudo entre a quinta vértebra lombar e o sacro.
Quando uma vértebra sai do alinhamento, o canal por onde passam os nervos pode ficar mais estreito. Também pode surgir instabilidade, ou seja, um movimento maior que o normal entre as duas vértebras. São esses dois fatores, compressão e instabilidade, que explicam a maior parte dos sintomas.
Quais são os tipos e as causas?
Existem várias causas, mas duas respondem pela maioria dos casos:
- Degenerativa: mais comum em adultos acima dos 50 anos. O desgaste das articulações e do disco deixa o segmento frouxo e permite o deslizamento. Muitas vezes vem junto com a estenose do canal lombar.
- Ístmica: ligada a uma pequena fratura por estresse em uma região da vértebra chamada istmo (espondilólise). Segundo o NHS, é comum em jovens atletas e ginastas, por causa de movimentos repetidos de extensão da coluna.
Há ainda formas congênitas, presentes desde o nascimento, e formas ligadas a trauma, tumor ou cirurgia anterior, que são menos frequentes.
Quais são os sintomas da espondilolistese?
O NHS lista os sintomas mais comuns:
- dor lombar, que costuma piorar em pé ou ao caminhar;
- dor que irradia para as nádegas ou para as coxas;
- sensação de músculos posteriores da coxa "encurtados";
- dor, dormência ou formigamento descendo pela perna, parecido com a dor ciática.
Também é possível não ter sintoma nenhum. Por isso, um laudo de espondilolistese sem queixa correspondente não significa, por si só, que é preciso tratar.
Se você tem dúvidas sobre espondilolistese, é possível agendar uma avaliação para entender o que se aplica ao seu caso.
Agendar pelo WhatsAppComo é feito o diagnóstico?
Na consulta, o médico conversa sobre a dor, examina a coluna e faz o exame neurológico das pernas. Alguns testes, como elevar a perna esticada, ajudam a perceber se há irritação de nervo.
A radiografia é o exame básico, porque mostra o alinhamento das vértebras. Radiografias com o tronco dobrado para a frente e para trás, chamadas dinâmicas, revelam se o escorregamento muda com o movimento. A ressonância magnética mostra os nervos e o grau de estreitamento do canal. A tomografia pode ajudar a ver a fratura do istmo.
Como é o tratamento sem cirurgia?
A maioria das pessoas começa pelo tratamento sem cirurgia. O NHS descreve estas opções:
- Ajustar atividades nas fases de dor, evitando dobrar o tronco, levantar peso e esportes de impacto.
- Usar remédios para dor e anti-inflamatórios, sempre com orientação médica.
- Fazer fisioterapia para fortalecer o abdômen, a região lombar e as pernas.
- Em casos de dor de nervo, considerar infiltrações.
Esse caminho não coloca a vértebra de volta no lugar, mas pode reduzir a dor, melhorar a função e devolver a confiança para se movimentar. Em jovens com espondilólise recente, o repouso esportivo e a reabilitação costumam ser a base do tratamento.
Quando a espondilolistese precisa de cirurgia?
O NHS reserva a cirurgia para quem não melhora com o tratamento sem operação. Na prática, ela costuma ser discutida quando:
- a dor nas pernas ou a limitação para caminhar continua apesar de um tratamento adequado;
- há perda de força, dormência que avança ou outros sinais de compressão dos nervos;
- o escorregamento aumenta nos exames de controle;
- há alteração no controle da urina ou das fezes, o que é urgência.
O estudo SPORT, publicado em 2007 no New England Journal of Medicine, acompanhou pacientes com espondilolistese degenerativa e estenose, com sintomas havia pelo menos 12 semanas. Na análise que comparou quem operou com quem não operou, o grupo cirúrgico teve melhora maior de dor e função ao longo de 2 anos. A análise principal, porém, não mostrou diferença significativa, em parte porque muitos pacientes trocaram de grupo. Isso ajuda a explicar por que a indicação é sempre individual.
As cirurgias mais usadas são a descompressão, que libera os nervos, e a artrodese da coluna, que fixa as vértebras com parafusos e hastes. Em algumas situações a descompressão isolada pode ser considerada; em outras, a fixação é necessária. Essa escolha depende da estabilidade do segmento, da idade, do tipo de escorregamento e dos sintomas, e é avaliada em consulta.
Com ou sem cirurgia, o objetivo é reduzir a dor e devolver a capacidade de caminhar e trabalhar. Exercício regular e controle do peso continuam importantes ao longo da vida.
Quem opera passa por uma fase de reabilitação, com retorno gradual às atividades. Os cuidados dessa fase estão em como voltar a trabalhar após cirurgia de coluna.
Quando procurar atendimento
O NHS orienta procurar um médico quando a dor nas costas, nas nádegas ou nas coxas, a dificuldade para caminhar ou os sintomas nas pernas duram 3 a 4 semanas, ou quando vêm com febre, suor noturno ou perda de peso sem explicação.
Vá a um pronto-socorro ou ligue 192 se houver perda de controle da urina ou das fezes, dormência na região entre as pernas ou fraqueza que piora rapidamente. Quem mora em Ribeirão Preto e região pode fazer a avaliação em consultório, com exame neurológico completo.
Se você tem esses sintomas, uma avaliação com neurocirurgião ajuda a entender a causa e as opções de tratamento. Saiba mais na página de cirurgia de coluna.
Perguntas frequentes
Espondilolistese tem grau?
Sim. O escorregamento costuma ser classificado em graus conforme o quanto uma vértebra avançou sobre a outra. O grau ajuda a descrever o problema, mas a decisão de tratamento depende mais dos sintomas e do exame do que só do número.
Quem tem espondilolistese pode fazer exercício?
Na maioria dos casos, sim, e o exercício orientado faz parte do tratamento. O NHS recomenda fortalecer o abdômen e as pernas e evitar, nas fases de dor, movimentos de dobrar e levantar peso. O fisioterapeuta ajusta o plano a cada pessoa.
Espondilolistese em jovem é diferente da do idoso?
Costuma ser. Em jovens e atletas, ela geralmente vem de uma pequena fratura por estresse em uma parte da vértebra, chamada espondilólise. Em adultos mais velhos, o mais comum é o tipo degenerativo, ligado ao desgaste das articulações e do disco.
A espondilolistese sempre piora?
Não. A evolução é variável, segundo a StatPearls. Muitas pessoas convivem com um escorregamento estável por muitos anos, e o acompanhamento com exame clínico e imagem ajuda a perceber mudanças.
Fontes consultadas
- NHS: Spondylolisthesis (abrir fonte)
- StatPearls: Spondylolisthesis (Margetis e Gillis, 2025) (abrir fonte)
- Weinstein JN et al. Surgical versus nonsurgical treatment for lumbar degenerative spondylolisthesis. N Engl J Med, 2007 (estudo SPORT) (abrir fonte)
- MedlinePlus: Spondylolisthesis (abrir fonte)
Conteúdo revisado por Dr. Guilherme Veloso Gomes (CRM-SP 287794 · CRM-MG 82200) em 07/10/2026. Texto educativo, que não substitui a consulta médica, não serve para autodiagnóstico e não representa promessa de resultado. Cada caso depende de avaliação clínica, exame físico e, quando indicado, exames complementares. Em caso de sintomas súbitos ou intensos, procure o pronto-socorro ou ligue 192 (SAMU).